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                                    Fonte: olhares.com


          Eu fui ao Rio de Janeiro


              Abri os olhos e contemplei o mar, salgado, o mesmo mar visto por Fernando Pessoa do lado de lá.  Sem muito pensar, fui direto à Praia do Leme e decidi caminhar por ela, bem devagar, afinal é tão pequena, apenas um quilômetro.
              Caminhei devagarinho, olhei novamente o mar e a praia tão cheia de belas e de vida. Deu uma vontade de ficar ali para sempre, olhando o mar.
              Criei coragem e saí dali, sem olhar para trás, porque se demorasse um pouco mais a olhar o mar, acabaria por trazer apenas a imagem de um pedacinho daquela beleza rara, e minha caixinha de lembranças, ficaria muito pobre.
              Corri depressa, peguei um ônibus (lotado !) e desembarquei mais adiante, e quando dei por mim, já estava no Corcovado, e, imitando o Cristo, REDENTOR dos homens, abri os braços e entendi o porquê daquele gesto do filho de Maria.... e, desejei também eu, abraçar aquela cidade, uma magnífica visão, que ofuscou meus olhinhos incrédulos. Eu estava tendo o mesmo privilégio de Cristo, e via o RIO lá de cima e não resisti, deixei mesmo que viessem as lágrimas. e chorei, do mesmo modo e com a mesma intensidade de quando vi os PROFETAS DE PEDRA SABÃO, criação de ALEIJADINHO, lá no Jardim dos Passos, em Congonhas, MINAS GERAIS.
              Mas precisei descer, afinal eu queria ver de novo e de perto aquela delícia de mar. Resolvi então que deveria abrir mão de uma diária no HOTEL SHERATON e tomei um táxi, onde um sujeito com um sotaque português me levou, primeiramente a contemplar os ARCOS DA LAPA, maravilhosos e indescritíveis. Passamos rapidamente pela BAÍA DA GUANABARA, pois eu queria mesmo é entrar no MARACANÃ, e, pela primeira vez, eu o vi vazio... vazio de gente, vazio de gol. Bem diferente da visão que tive, daquele estádio lotado, quando o que menos vi, foi o futebol arte dos craques que perderam a copa de 86. Naquele dia, (o de 86), vi cenas inusitadas, baianas virando o santo, um homem fazendo xixi num copo de chopp e arremessando-o em seguida para a geral. Vi um homem brigando, puxando uma faca e vi, SIM, eu finalmente o RENATO GAÚCHO, por quem eu suspirava. Vi o gol de ROMERITO e perdi o
GOL de SÓCRATES.... Voltando ao presente, me demorei um pouco mais no MARACANÃ VAZIO, afinal, queria ter a visão do corner, do pênalti, mas finalmente achei a saída.
              O taxista português, me aguardava, alisando seu bigode, com um palito entre os dentes. Pedi que me levasse diretamente para a FORTALEZA DE SANTA CRUZ, onde parei um pouquinho e tive uma linda visão do amado MAR de amar. "Ó mar salgado (pensei como Fernando ...) quanto do teu sal", são lágrimas deixadas por pessoas como eu !
              Sequei novamente as lágrimas, que ainda não eram de saudade, e segui adiante, como meu novo amigo português. Decidimos que meu último lugar a
visitar, seria a MARINA DA GLÓRIA, mas antes, ele me levaria ao JÓQUEI CLUB, onde vi de perto as raias, por onde J RICARDO fez a sua fama. Queria ter trazido "um chapéu para viagem", emprestado de ZÉLIA GATTAI, mas não me ocorreu que eu precisaria dele num GRANDE PRÊMIO BRASIL DE TURFE. Saimos dali, e olhei rapidamente para a praia da Tijuca, onde novamente vi belas mulheres, douradas e pensei nele, o moço de branco lá da praia do Leme. Era hora de voltar para casa.
               Pedi ao taxista assim: - Parceiro (carregando no ERRE, como todo bom carioca), me leve à MARINA DA GLÓRIA. Ele sorriu com aquele palito entre os dentes (não sei se era o mesmo do começo do passeio) e disse-me: - ó pá senhorinha, embarque no meu possante.
               Chegando à marina, pedi que ele me deixasse sozinha, pois queria recolher lembranças e guardá-las em minha caixinha, para que, nos dias gelados em minha terra, eu pudesse retirar dela, uma imagem linda da cidade que todos os dias é abraçada por JESUS, o REDENTOR do mundo. Pisquei os olhos, e lá estava eu contemplando agora nuvens encravadas no azul do céu, naquele avião que me traria de volta a Curitiba. Não tive coragem de olhar para baixo, não queria ver o mar de AMAR diminuindo, ficando tão longe dos meus olhos. Fechei-os então com força, e não os abri até que eu tivesse a certeza de que meus pés já estavam em terra firme na minha CIDADE SORRISO. 
               Adoro viajar, mas adoro mesmo é me sentir de novo, em minha casa.
Lili Maia
Enviado por Lili Maia em 26/06/2005
Reeditado em 09/01/2008
Código do texto: T28007

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Sobre a autora
Lili Maia
Curitiba - Paraná - Brasil
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