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O melhoral de antigamente

Ontem estive olhando velhas fotografias. Quando uma saudade muito grande toma de assalto o nosso coração, e para que ele não se estrague um pouco, é melhor alimenta-lo através do nosso olhar.
Vejo meu pai, minha mãe, meus avós e amigos, pessoas que nos vestiram com o sentimento da ternura e enriqueceram a nossa vida com amor: Santos e anjos que se transformaram em nossos monumentos espirituais. Assim os vejo e só consigo compreender a existência, sob este aspecto: Que estes seres que embelezaram os nossos corações estão por aí, em algum lugar do universo, com os braços abertos, nos abraçando. Continuam influenciando a nossa vida. São parte dela e o serão para sempre.

Passo e repasso as velhas fotografias procurando ler o semblante de cada pessoa: Meus tios, uma amiga, aquela vizinha. Meu deus! quantas pessoas são necessárias para se criar um caráter, quantas pessoas nós precisamos para termos uma historia?
Um grande sentimento de gratidão toma conta de mim. Quantas dívidas nós temos para com aqueles que nos precederam, nos criaram, e nos amaram tanto e de todas as maneiras?

Fecho o baú de mil fotografias. Os meus olhos saciaram a minha alma melancólica, mas agradecida, e ainda tenho tempo para ligar o velho radio “Mulard” do meu pai que conservo comigo. Não fala, apenas faz um barulho como se chovesse dentro, “chuva nas oropa”, como dizia o velho Chico.

O fato, é que depois de olhar as fotografias e coisas antigas, eu tenho que pagar um bom preço, alguns espirros e uma pequena dor de cabeça. É a alergia que não me deixa em paz, e já faz parte da minha vida. Recordo:

“Como meu pai e minha mãe nos amavam! Era um amor tão grande, era um cuidado tão intenso, que às vezes sufocava, principalmente quando algum de nós adoecia, quase sempre por conta de gripes e resfriados que eram comuns naquela época”

Meu pai conhecia um pouco de medicina devido ao contato com o meu avô que era homeopata. Meu bisavô fabricava remédios, talvez por isto, papai mantinha uma “botica” caseira, onde sempre tinha alguns remédios de primeiros socorros, para atender a um vizinho, ou um amigo. Quase todo dia, pela manhã ou a noitinha saia para aplicar injeção. Tinha a mão boa. Levava a seringa de vidro e o aparelho de esterilizar. Este era o meu pai, cuidadoso e bom!

Nas nossas crises de gripe tomávamos Melhoral. Papai curava as nossas gripes e resfriados com Melhoral, mas acompanhando o comprimido, sempre um chazinho de laranja, de poejo, ou um vinho de canela que minha mãe fazia. A gente tomava o remédio e o vinho de canela e depois ia para debaixo das cobertas; com frio ou calor era preciso ir para as cobertas.

A gente suava, não saia de casa para não apanhar sereno. As nossas gripes nunca passaram de uma gripe. Dois ou três dias depois, estávamos de novo na escola, jogando pelada com bola de meia e vivendo os dias da nossa infância, mas o que nos curava mesmo, eram os cuidados e o carinho com que nossos pais nos tratavam, e a ajuda do velho e bom Melhoral.

Hoje não sei como as pessoas curam as suas gripes e dores de cabeça. Vírus e bactérias se fortaleceram e a poluição toma conta de tudo. Mas confesso, que ainda tomo o meu Melhoral com chá de cidreira, quando tenho gripe ou a rinite quer me derrubar.
Um pouco por nostalgia, um pouco porque me faz bem, eu tomo o Melhoral: é melhor e não faz mal.


          Dedicado ao anjo bom, de mão abençoada.
Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 03/11/2006
Reeditado em 07/08/2007
Código do texto: T281338

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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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