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ROUBAR JABUTICABAS

Sim,
sua mensagem esta repleta de verdade que nós,
seres humanos,
por esquecermo-nos de que sempre seremos,
eternamente, "crianças",
não temos condições de sentir toda a beleza ao nosso redor.

Quantas vezes retorno e subo nas árvores,
aprecio o gosto inconfundível da jabuticaba.
Vou até ao córrego raso,
deito-me de costas e deixo a água passar pelo meu rosto e ate adormeço,
assim também em baixo de uma mangueira.

Vejo-me voando tal qual pássaro,
sinto-me correndo descalços por ruas de terra,
sem sequer pensar em dor.
Volto a ser criança olhando para a lua e afirmando: um dia vou ate lá!

Toco campainha nas casas e saio correndo.
Do alto, no adro da igreja, vejo o casal de namorados e sorrateiramente, jogo em cima deles uma lata de água.
Com amigos, debaixo das palmeiras, vamos traçando planos em qual horta do visinho e qual a fruta que vamos colher, pulando muro silenciosamente.
Roubar beijo na menina e sair correndo...

Ajudar o padre celebrar missa,
logo após a missa furtivamente bebericar o restinho de vinho que deixou.
Colocar vinagre no vidrinho e ficar aguardando-o, no momento certo, da “consagração", beber gostosamente e esborrifar pelos lados o maldito vinagre que bebeu,
Tossindo e tossindo e bem baixinho ficar rindo da peça que aprontamos.

Ahhhh, como é bom ser eternamente criança, bem sem os puxões de orelhas, sem os beliscões de mamãe e das professoras, claro!
E nesses momentos, fico sorrindo, rindo e ate um pulinho dou saudando o meu viver e pessoas espantadas comentam "eu, heim, o homem ta birutando?".

Seu texto é razão de ainda viver acreditando!
Acreditando que realmente sou um ser humano e não um robô, ou alguém preso às exigências desta parafernália de mudanças bruscas que rondam as vidas atualmente, fazendo do ser humano um preso sem "condicional", realmente preso em suas próprias armadilhas.
Sim,
eu amo ser uma criança,
sem nunca precisar de telefone,
carro,
mas somente uma bicicleta velha para correr e sentir,
no rosto, o vento acompanhando-me.

Karuk
Enviado por Karuk em 04/11/2006
Código do texto: T281923
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Sobre o autor
Karuk
São João Del Rei - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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