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Pontualidade

Incrível como as pessoas, numa grande cidade como São Paulo, perderam, em sua grande maioria, a preocupação com os horários. Maridos esperando mulheres, mulheres esperando maridos, patrão esperando empregado, empregado esperando patrão, e por aí vai. Uma reunião começar no horário? Raridade! De quem é a culpa? Das autoridades do trânsito? Do(a) prefeito(a)? - De ninguém, São Paulo é assim mesma, impossível, com esse trânsito caótico, etc. e tal. Tudo desculpa. O que acontece é, na verdade, que mais um valor, dos tantos valores perdidos, se perdeu. Depois de justificar um atraso, dois, três… deixa pra lá! A maioria acaba aceitando que esse é o jeito, não há o que fazer. Desculpem-me, mas não concordo. Podem me chamar de antiquado, careta, velho, ou o que quiserem, eu não me intimido. Adoro a pontualidade e pronto! Como é bom a gente chegar na hora, ou até com alguma antecedência, e ver no rosto de quem nos espera um ar de aprovação, de satisfação. Tudo flui melhor, mais calmo, mais suave. Bem diferente de quanto chegam os atrasados, correndo, suando, desculpando-se (é claro que sempre há uma plausível desculpa). Agora, é claro, tem aquelas vezes, que chegamos no horário, pontuais como bons e antigos britânicos, e nos pedem para esperar um pouquinho; um, muitas vezes, interminável “pouquinho”. Lembro de uma piada que uma vez me contaram, e que dizia mais ou menos assim: Um sujeito morreu e apresentou-se a São Pedro, na porta do céu. Claro que na ala destinada aos brasileiros, havia uma fila. E ele era o terceiro, aguardando o momento de apresentar suas razões para entrar. São Pedro perguntou ao primeiro da fila, qual era a sua profissão: - Médico, disse o homem. - Então assine aqui no livro dos médicos e pode entrar. O segundo da fila apressou-se, era um Advogado. – É só assinar aqui no livro dos advogados e entrar, disse São Pedro. Enfim, chegou a vez do nosso amigo. Todo encabulado, ele disse: - Sou vendedor. Pobre homem, como se não bastasse a vida que tinha levado aqui na Terra, precisou ouvir: - OK, então sente e aguarde um pouquinho…Brincadeiras à parte, o desrespeito com as pessoas passou a ser algo absolutamente normal. Em algumas oportunidades, mesmo com prejuízo pessoal, tenho ido embora. Consultórios médicos são a minha especialidade. Como os médicos (e os dentistas também) são desrespeitosos com seus clientes! Se o caso não for grave, eu vou mesmo. E deixo bem clara minha indignação. Os advogados, acostumados com os horários rígidos das audiências (pelo menos para eles, para os juízes nem tanto), são menos impontuais. Horário para ser respeitado, tem que ter a Globo na parada. Senão, acho que até a Formula 1 largaria atrasada. Agora, programa político, esse começa rigorosamente na hora (eles não podiam esquecer o horário um dia?). Meus amigos, que saudade, do tempo que os relógios existiam para marcar as horas, hoje servem mais para decorar os pulsos, os femininos então! E o nosso bendito horário de verão? Mais uma bobagem, sem utilidade alguma, que logo no início enche de razão os atrasadinhos de plantão. Opa! Havia esquecido: Horário de vestibular é coisa séria! Se chegar um minutinho atrasado, adeus, vejo você na próxima. Paciência, minha gente, vivemos na terra do Cabral, e aqui horário não tem igual. Nem compromisso! Tudo “light”. Não “esquenta”; de repente é um bom conselho. Mas quando viajar, para o exterior, quem sabe para Londres, cuidado! Melhor voltar a respeitar o instrumentinho de pulso (o de bolso faz mais tempo que saiu de moda), senão você pode se enrascar, ou perdem o trem, que lá sai no horário.
Guilherme Appel
Enviado por Guilherme Appel em 07/11/2006
Código do texto: T284359
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Sobre o autor
Guilherme Appel
São Paulo - São Paulo - Brasil, 64 anos
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