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Um país de pedintes

Em cada esquina um mendigo, ou um espertinho, ou um ladrão disfarçado de coitadinho. Mas não só por aí, por todo o lado, nas ONGs, nos "fomes zero" da vida, e nas campanhas mais variadas e de interesses nem tanto. Pedintes, pedintes e mais pedintes. Já virou cultura, hábito, mania de brasileiro? Lamentavelmente, vivemos num país que já perdeu sua credibilidade há muito tempo, e embora muitos contribuam com esses tantos, a grande maioria se omite, e se querem saber, com muita razão, aliás, cheios de razão! É claro que é muito mais fácil pedir do que dar, mas não é só isso, é importante fazer bonito, para a mídia, para que os amigos e parentes vejam, para que a sociedade bata palmas e diga: - como ele é bonzinho! E depois, bom, depois...nem sempre os bolsos e as barrigas, legítimos destinatários, são agraciados, muito se "perde" pelo caminho, já que a falta de vergonha na cara e a total e irrestrita certeza da impunidade diante das mais descaradas safadezas, domina. Muitos não pensam nisso, apenas dão alguma migalha e se sentem com a consciência anestesiada – fiz a minha parte, o resto não é comigo! Do mesmo jeitinho que os freqüentadores de igrejas fazem: dão suas ofertas e dízimos e dizem que o pastor, padre ou qualquer outra coisa, "vai prestar contas a Deus". É no mínimo hilário. Precisamos aprender, antes que seja tarde, e essa cultura seja definitivamente incorporada por todas as gerações vindouras, a sermos mais questionadores, mas fiscalizadores, exigentes e difíceis de pegar. Hoje, eu passava em frente a uma casa, no condomínio onde moro, e lá estava uma faixa pedindo donativos para uma campanha destinada a aplacar a fome no sertão nordestino, em nome de uma entidade sabe-se lá de onde, de quem, com que interesses reais escondidos na tocante iniciativa. E garanto-lhes que alguns devem estar ajudando, sem questionar nada. País de otários? Não creio, de gente boa sim (será?), participativa, na essência cidadãos exemplares, mas país de governos que recebem impostos altíssimos mas não fazem o que deveriam com eles, de autoridades, em geral, extremamente incompetentes, desprovidas da mínima seriedade, gente que permite que essas outras gentes se aproveitem da boa índole, da ingenuidade, ou mesmo da consciência (nem sempre em paz), de muitos de nós, pobres cidadãos, não pobres esfomeados de comida, mas pobres de espírito, da incapacidade de pensar, analisar, refletir, e posicionar-se contra os absurdos que são incorporados, dia-a-dia, com a maior facilidade, aos nossos mais pueris hábitos cotidianos.
Guilherme Appel
Enviado por Guilherme Appel em 08/11/2006
Código do texto: T285450
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Sobre o autor
Guilherme Appel
São Paulo - São Paulo - Brasil, 64 anos
14 textos (802 leituras)
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Guilherme Appel