@@ Inundáveis Lembranças @@

Desesperada voltei.

A casa estava lá, do mesmo jeito. As paredes tinham as mesmas cores.

Podia até ouvir o barulho da família. Os dias de festas, papai apressado para a escola, os amigos a jogar no terraço. Mas os pensamentos faziam eco. Faltavam os móveis, os amigos, a família.

Eu tinha que achar o documento. Estaria por lá? Provavelmente não, não depois de tanto tempo.

Escutava o zumbido do silêncio.

Entro no quarto que fora meu. Procuro no guarda-roupas, nas gavetas, nos outros quartos.

Nada. Não havia nada além do cheiro daquelas alcatifas mofadas.

Comecei a espirrar enquanto andava pelos outros aposentos.

Lágrimas escorriam.

Vieram as lembranças. Mas lembranças só não bastavam.

Tinha que achar o documento!

Mas nada! Não encontrei nada!

De repente águas pareciam inundar a casa.

Vinha de todos os lados. O que teria acontecido? Seria água da piscina?

Parecia lavar tudo. Mas quanta água!

Olhei então para as escadas. Um corpo era arrastado.

Era o corpo do escritor! Meu Deus, por que ele estaria ali?

Procurava o mesmo documento que eu?

Que loucura. Só podia ser um pesadelo!

O corpo desceu boiando e a cabeça encostou em minha perna.

Num ímpeto movimentei-me para correr.

Mas nesta hora ele abriu os olhos e numa gargalhada que jamais ouvi antes falou:

-Peguei você!

TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 22/03/2011
Reeditado em 26/07/2017
Código do texto: T2862964
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