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Para onde vão os objetos perdidos?

O mundo está dividido em dois grandes grupos de pessoas. As que perdem coisas e as que acham. Existem grandes perdedores e grandes descobridores. Para perder é muito fácil, basta que o dono se desconecte dele por um momento, um desapego, e o objeto cai em esquecimento momentâneo e torna-se perdido.

Como a maioria das pessoas perde muito mais do que acha, fica a pergunta – para onde vão os objetos perdidos?

Para achar estes objetos é preciso certo treino e uma pitada de sorte. É importante estabelecer que a pessoa que acha, na maioria das vezes não é a que perdeu.

Ouvi certa vez o depoimento de um sujeito no ônibus, ele era um grande descobridor de guarda-chuvas perdidos. A técnica usada é muito simples, quase óbvia. Em dias
de chuva quando o sol aparece sem aviso, os ditos objetos protetores são esquecidos, largados. Em ônibus, balcões, banheiros público, provadores de lojas, restaurantes
e praças. É só ficar atento para encontrá-los. Ninguém gosta de carregar um guarda-chuva se ele não for útil no momento.

Este mesmo homem intitulou-se um iniciante em encontrar vales-transporte.
Como utilizava transporte coletivo quase todos os dias, percebeu que as pessoas costumavam buscar na bolsa, os vales, ainda na parada, e com pressa acabavam derrubando algum antes de entrar no ônibus.

É uma idéia coerente. Assim fica fácil entender porque perdemos óculos quando o sol vai embora, canetas em sessões de autógrafos, cadernos em sala de aula, casacos
quando esquenta, filhos em shopping center.

Na ânsia de encontrar nossos objetos perdidos podemos apelar aos santos. São Longuinho é especialista nesta tarefa. Exigindo para pagamento apenas três pulinhos. A regra é dizer ao São Longuinho, que se a coisa perdida for achada,
você, que perdeu, dará três pulinhos.

Quando não são encontrados pelos incríveis descobridores, os objetos vão para um lugar mágico, onde milhares de objetos solitários esperam inconformados pelos verdadeiros
donos. São catalogados e colocados aos pares em pequenas prateleiras. Existem seres especiais, quase místicos que são responsáveis pela guarda das salas e para receber
os possíveis donos, caso algum deles apareça. O ambiente é sombrio e o cheiro é quase mofento.

Afirmo com convicção, pois já fui abduzida por um amigo até uma destas salas para procurar uma mala perdida.

Onde fica?
Ali mesmo, no prédio dos Correios.
Ana Mello
Enviado por Ana Mello em 14/11/2006
Código do texto: T290921
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Sobre a autora
Ana Mello
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
142 textos (24291 leituras)
2 e-livros (859 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 11:54)
Ana Mello