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VERGONHA NACIONAL

     Às vezes exagero na expressão: VERGONHA NACIONAL, mas tive vontade de escrever sobre a rodoviária da capital federal, denominada Rodoviária do Plano Piloto.

     A Rodoviária do Plano Piloto está situada bem no centro do plano, a poucos metros de obras arquitetônicas magníficas como o Teatro Nacional, Catedral, Palácio da Justiça, Itamarati, Congresso Nacional, Palácio do Planalto e outras que são verdadeiras oitavas maravilhas do mundo. A arquitetura de Brasília é uma das mais lindas do mundo e bem no centro uma coisa horrorosa daquela como a Rodoviária do Plano Piloto.

     Perdoem-me os administradores da rodoviária, mas como já não bastasse o design, a sujeira que implacável, vejo até meus irmãos servidores arrastando a sujeira com um rodo enorme, mas ela é jogada no lugar em que os ônibus encostam para pegar os passageiros. Um dia perguntei ao servidor porque faziam assim, ele me disse que era para depois pegar e jogar no tambor de lixo, mas enquanto isso não acontece, os ônibus saem espalhando o lixo novamente. Os servidores limpam, limpam, mas se vê limpeza.

     A mendicância é insuportável, pois nunca vi lugar para juntar mais irmãozinhos desfavoridos pela sorte, tenho impressão que as autoridades não têm como reverter este caso, ou não tem algum órgão que toma conta dessa parte. Se você pegar dez reais e der cinqüenta centavos para cada um, em menos de vinte minutos você não tem mais nem um centavo.

     Menores delingüentes, se quiser contar é só observá-los batendo carteira dos homens.

     Mas o que mais dói, uma das cenas mais doídas que assisti foi um grupo de menores, mas menores mesmo, de cinco a dez anos mais ou menos, cheirando algum produto químico. Um dia fiquei com um sentimento de impotência sem medida ao ver um menininho de cinco, seis anos, chupando um dedo com uma mão e cheirando cola com a outra. Aquilo me revoltou... Sem contar o dia que vi um rapaz de seus vinte e poucos anos se debatendo num ataque causado pelas drogras. Chamei um policial para socorrê-lo, sabe qual foi a sua resposta?: "Minha senhora, vá para a sua casa, não se importe com esta cena, pois isso é o comum aqui, é o que mais tem, a senhora está chocada porque deve ser a primeira vez que vê. É assim mesmo, daqui um pouquinho ele melhora, levanta e vai usar mais." Atendi ao policial, mas fui embora com o coração partido, e se ele não conseguisse voltar, ia morrer ali, sem socorro?

     A conservação do prédio: quando chove, chove mais debaixo do que fora, sem contar o alagamento que fica. Tem um lugar entre a estação do metrô, que fica uns cinqüenta centímetros de água acumulada por horas, os ônibus é que vão passando e espalhando aquela água parada, quando não passam em velocidade maior só para jogar a água em maior distância para pegar nos passageiros que aguardam na fila.
Numa época aí para trás, um governador de Brasília disse que a iria reformar a rodoviária, que seria a mais bonita do mundo. Você viu? Porque eu não vi. Reformou, reformou e ficou a mesma coisa. Agora também está em obras, mas a passos de tartaruga. Justiça seja feita, há uns meses atrás reformaram todo o piso, ficou bom. Ficou melhor para pelo menos ser limpo.

     Desculpem-me os governantes, mas Brasília, tão linda, merecia uma rodoviária mais bonita. Se quiserem podem copiar a da capital do meu estado, a Rodoviária de Goiânia. Não estou sendo bairrista, mas rodoviária bonita está lá, dá até vontade de ficar passeando por lá, na mesma proporção que só vai à Rodoviária do Plano Piloto quem não tem outra alternativa.

     Poderia alguém tomar alguma providência para mudar a imagem da Rodoviária do Plano Piloto, pois todos os dias tanta gente é obrigada a passar por lá. E também para enaltecer ainda mais a nossa querida Brasília.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 14/11/2006
Código do texto: T291045
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
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