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O Dia D.

                Sete horas. A aula começa agora, mas que estranho, a sirene não tocou. Ah, esqueci, na faculdade não há uma campainha para indicar o início da aula. Sendo assim vou para sala. Pessoas diferentes, nada como no tempo do colégio. Entro e sento lá no fundão, como nos tempos de aluno do ensino médio. As meninas ficavam doidas comigo, afinal, quem senta no fundo e faz gracinhas durante a aula ganha uma certa fama de “bambambam”. Eu era o tal. Ninguém me olha como naquele tempo. Opa! O professor entrou na sala. Nem tocou no pincel atômico. Começou a falar e transformou a aula num debate. Nunca vi isso. E o modo como ele se comporta? Diferente o seu jeito. Claro! É a tal “postura” que meu pai disse que o professor da universidade tem. Universidade. Já começo a falar como meu pai, como se eu já estivesse totalmente inserido neste contexto. Não sei. Acho que isso aqui não é a minha praia. O colega ao lado me pergunta as horas. Quer fazer contato. Deixo rolar, o “mané” parece ser um moleque maneiro. Faço uma gracinha como na escola. Atrapalho a aula. Sou fulminado por olhares de desaprovação. Saco. Faculdade é isso? Todo mundo concentrado o tempo todo? Não há descontração? Acho que não vou gostar disso aqui. Será que é o que quero para mim? Acho que vou faltar amanhã. Intervalo. Saio para fazer um lanche com meu novo amigo, que me conta que terminou seu “segundo grau”, expressão antiga, justificada pelo tempo, há dez anos. O cara é velho, tem vinte e seis anos e eu, nossa! só dezoito. Ele diz que trabalha durante o dia e que entrou para a faculdade a fim obter mais conhecimento e quem sabe? Ele viaja. Quem sabe conseguir ser um grande educador? Educador? Boiei. Voltamos para a sala. Que aula é essa? Dinâmica de grupo? Eu nunca fiz isso. Mas é interessante. Como a professora disse? A dinâmica chama-se teia de aranha. Legal, pensei que psicologia da educação fosse algo chato mas, não, pelo contrário, é muito interessante. Acho que vou dar um crédito a minha “Universidade”. Acabou a aula!?! Não pensei que fosse reclamar por terminar. Gostei. Vou dar um crédito. Amanhã tem mais. Não vejo a hora.
Léo Rodrigues
Enviado por Léo Rodrigues em 15/11/2006
Reeditado em 13/03/2008
Código do texto: T292484
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Léo Rodrigues
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 39 anos
149 textos (37633 leituras)
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Léo Rodrigues

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