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DISTRAÍDOS

A distração é motivo de muitos risos para alguns e de constrangimento para outros. Conheço uma pessoa muito querida, que não vou citar o nome, pois sei que ficaria chateada comigo, mas, que é muito, mais muito distraída; tão distraída, que de repente irá ler esta história e nem vai perceber que a história é dela. É daquelas, que levam gravador a um show de humor, para rir em casa, depois que entender a piada, é claro. Essa pessoa conseguiu transformar uma piada antiga, em realidade. Sabe aquela história do camarada que vai tirar a carteira de motorista e na prova final, quando o instrutor manda ligar o carro e sair devagarinho, ele abre a porta do carro e sai andando de-va-ga-ri-nho? Pois é, aconteceu com ela. Até hoje não pode passar em frente da auto-escola.
Outro dia, muito apertada para ir ao banheiro, entrou desesperada em uma loja e disse: Moço, por favor, onde fica o toalete? Não obteve resposta. Tornou a perguntar, e nada. Já ia dizer uns desaforos ao vendedor quando percebeu que estava falando com um manequim.
No outro, vinha calmamente atravessando a Av. Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, por uma passagem subterrânea, que também dá acesso ao Metrô. Quando viu a fila para a compra de ingressos, entrou, comprou o ingresso e continuou o seu trajeto rumo ao outro lado da Avenida. No final do túnel, olhou para a mão que segurava a passagem do Metrô e se perguntou: Para que eu comprei isto?
Outra amiga, ficou presa no cemitério.
Muito distraída, esta grande amiga, entrou no cemitério  em sua cidade no Nordeste para acender umas velas e rezar pelos falecidos de sua família, porém, não notou que o coveiro estava indo embora e trancou a porta do cemitério. Quando percebeu que estava trancada, o desespero tomou conta e ela tentou pular o muro, mas este era muito alto e muito atrapalhada,  não conseguiu; mas, colocou o rosto na beirinha do muro e chamou uns meninos que estavam do lado de fora. - "Venha meninos, me ajude que estou presa". Ao ouvir a voz que saía de dentro do cemitério, os meninos correram assustados e gritavam: - "Tem uma alma penada querendo sair do cemitério!". Foi um tremendo "bafafá" na cidade. Todos vieram ver o que estava acontecendo. De lá de dentro minha amiga gritava: "Por favor, se chegue, ajude que eu não sou alma penada não, estou é presa aqui dentro". E ninguém tinha a coragem de se aproximar.  Quando já anoitecera, e minha amiga já desesperada pensando que iria dormir lá dentro, apareceu o coveiro, que abriu a porta e ela saiu dando-lhe uma tremenda bronca, nele que a trancara,  e nos medrosos que ficaram atônitos do lado de fora.
Um outro, foi dar uma entrevista na rádio local, sobre o panorama econômico do País.  Estacionou o carro na porta da rádio e quando acabou o programa, ao sair da rádio, encontrou um amigo com quem conversou um pouco e aceitou uma carona de volta ao trabalho. Ao final do expediente, pegou a chave do carro e... "Roubaram o meu carro!" "Chamem a Polícia!". No mesmo instante toda a polícia da pequena cidade estava nas ruas. Após algumas horas, já na delegacia, uma chamada. "Delegado, encontramos o carro. "Onde?". "Estacionado na porta da rádio".
Histórias do Rio de Janeiro; histórias do Nordeste; não importa, são histórias de um Povo Brasileiro.

Esta crônica é dedicada aos protagonistas, que sabem do carinho que tenho por eles.
Vera Ribeiro Guedes
Enviado por Vera Ribeiro Guedes em 30/06/2005
Código do texto: T29363

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Sobre a autora
Vera Ribeiro Guedes
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 54 anos
131 textos (41795 leituras)
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Vera Ribeiro Guedes