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MENINO AZUL

Minhas recordações , de quando em vez levam-me á tempos á muito vividos. Nos tempos em que brincava em um tanque de areia, em que tomavamos cuidado para que o lápis de cera não caisse no chão e se quebrasse . Ou quando nos reuníamos em uma espécie de galpão para o lanche da tarde :  Banana, mingau, ou chocolate. Pois lá havia um menino estranho, branco , pequeno, mirrado , meio abobado e de grandes olhos azuis.Grandes olhos que pareciam não ter a " menina dos olhos "Lembro que tinha lábios grossos , vermelhos, carmim. Que fim teria tido ele? Teria morrido ? Tido filhos? O menino azul  frequenta meus pensamentos ainda hoje. Diluido , plastificado nas recordações  de uma criança de não mais do que cinco anos. Uma  criança que esta dentro de mim , escondida , resistente  e que de vez em quando  se lança nestas recordações impossíveis. Como o menino azul de olhos grandes, brancos e azuis que ninguem  queria brincar ou conversar. Parece que ainda  o vejo hoje, no play - ground  da creche, enquanto os outros garotos corriam  á fazer fila para o escorregador ou a gangorra , o monino azul ficava no tanque de areia, protegido por uma árvore frondosa , construindo estradas para seu caminhão, enchendo baldes de areia  para criar prédios, casas. Vivendo ali, só em sua vida reclusa. Agora pensando bem, não me vem á memória  o tom da voz do garoto azul; não  me recordo  seu tamanho , seu toque , a cor de seus cabelos .A única  lembrança que tenho dele é o rosto e aqueles olhos azuis sem pupila. Chego  a pensar se não se trata de mais uma troça da memória agora passados quase cincoenta anos; das justaposições da mente, experiências   vividas ou imaginadas . Mas sem dúvida , bem lá no fundo  da memória afetiva, sensorial, cronológica , o menino azul  me sorri , sentado no mesmo tanque de areia , com seu caminhãozinho abrindo estradas inexistentes. Sorrindo um sorriso  bobo, infantil, sem medo  de ser o que é , ou o que foi. Aguardando quem sabe  o dia em que minhas faculdades mentais me deixarem  e só tiver como companhia os fantasmas da minha  recordação .  
grotius
Enviado por grotius em 19/11/2006
Código do texto: T295476

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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