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IDENTIFICADOS



  A comunicação verbal apresenta uma figura que é empregada por costume, por força do hábito, sem que isso queira, realmente, ter um intento expressivo, e sua aplicabilidade é desnecessária. O “Uai” dos mineiros, o “Tchê” dos gaúchos, são exemplos regionalizados. Outros, como o “sabe?”, o “ô, meu”, o “né”, e tantos mais, vingam por todo o Brasil, levados que são pelos atuais meios de comunicação. Pois, tomo uma dessas expressões para seguir a argumentação deste Chasque. Refiro-me ao “como diz o outro”. Às vezes, quando abordamos um tema qualquer, socorremo-nos da bengala em questão. Ora, se somos nós que estamos falando, qual o motivo do “como diz o outro”? Enriquecer um texto ou um discurso de improviso com citações nominais das fontes é culturalmente construtivo.  Mas,  ao pronunciarmos o glorioso “como diz o outro”, aplicamos uma espécie de valhacouto, resguardando-nos, inconscientemente, da responsabilidade.  Se é “como diz o outro”, somos, apenas, um porta-voz, eximindo-nos de culpa. Será, mesmo? Enfim... é mais uma das tantas curiosidades.
Intróito ou não, em verdade, tomou-me esse espírito de proteção quando pensei em desenvolver o tema/título. O fato está centrado na ação   expontânea e graciosa, gerada por um casal, junto ao litoral gaúcho, na Praia do Quintão/RS. Todas as segundas e quintas-feiras, pela manhã, eles saem de casa e passam a recolher lixo inorgânico jogado na beira-mar. Juntam, a cada dia citado, cerca de oito sacos que, por eles, são levados à sua morada, e de lá recolhidos por um caminhão. O veículo leva aqueles detritos para um galpão, onde são selecionados e reciclados. Essa atividade dá sustento a muitas pessoas. Assim, “como diz o outro”, aquele casal já foi chamado de maluco. Onde se viu juntar lixo à beira-mar e junto aos cômoros?  O interessante é que eu ainda não ouvi “o outro dizer” que maluco (além de relaxado) é quem joga lixo na praia. Soube daquela atividade e fui conferir. Qual a minha surpresa! É um casal muito amigo meu e da minha esposa. Recepcionaram-nos em 1992 quando fizemos o ECC, na paróquia São João, P/Alegre. Pude, então, compreender o motivo daquela doação, tanto humilde quanto anônima. E sei que ficarão contrariados, mas não há “outro” nenhum no mundo terreno que me impeça  de citá-los como exemplo a ser seguido. O ideal seria colocarmos o lixo nos coletores adequados, mas é pedir muito num país predominantemente de mal instruídos e, por isso, inconseqüentes. Quando as cestas básicas forem de cultura, e não de esmolas comestíveis, o quadro poderá mudar. Enquanto isso, “como diz o outro”, os IDENTIFICADOS daquela verdadeira obra de caridade, são ... Bueno, ide e constatai. E imitai-os, se possível.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 20/11/2006
Código do texto: T296163
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23327 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá