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Não julgar

É interessante como temos facilidade de tecer considerações, de opinar sobre os sentimentos. Dos outros. Apoiamo-nos em palavras esparsas, através de conversas que apanhamos no ar, em coisas que lemos por aí, para nos tornarmos experts em sentimentos. Dos outros.
Quando entendemos que entendemos o significado do que autores quiseram dizer com os textos que escreveram, não sabemos a intenção intrínseca que os levou a elaborar tal texto. Assim como os meus leitores não sabem qual o sentimento que me leva a escrever sobre minhas reminiscências.
Não é saudade, é nostalgia. Não é tristeza, pelo contrário, é com muita alegria que trago essas recordações ao meu presente. São elas que fazem de mim, a pessoa que sou hoje. Melhor que ontem e com instrumentos para melhorar ainda mais.
Fazem parte da minha felicidade de cada dia. Sou feliz. O passar do tempo e um certo desleixo, me deixaram com a saúde um tanto abalada, mas isso me despertou para outras coisas. Como disse anteriormente, temos um imenso potencial criativo.
Tornarmo-nos menos ativos fisicamente, nos traz a possibilidade e as oportunidades de um maior aproveitamento da nossa capacidade mental. Se a dor nos ensina a gemer, façamo-lo de maneira produtiva. Aprendendo outras coisas, com alegria.
E paremos de tentar entender as motivações dos outros. Se sequer conseguimos nos entender, usemos o esforço despendido nas vãs tentativas de compreender o sentido da vida dos outros e façamos por merecer a nossa, dando à ela um sentido que valha a pena.
Paremos de pensar penalizados, na infância pobre do outro, pois o que desconhecemos, não nos faz falta. Julgamos a necessidade do outro, pela nossa.
Quando relembro da minha infância pobre, é porque sei da caminhada que fizemos até aqui, sem pararmos para queixumes, mas tendo fé e fazendo acontecer. Sinto orgulho de ver minha família como ela é hoje. Não somos ricos, conforme o conceito de riqueza da maioria das pessoas, mas vivemos com um certo conforto. É porque aprendemos a valorizar cada coisinha que conseguimos adquirir. E, principalmente, porque valorizamos a família em si. Porque aprendemos a conhecer nossos limites e isso não nos atrapalhar, nem nos sentirmos diminuídos. É o aceitarmo-nos como somos.
Esta é a Vitória antiga falando. Dona da razão. Ajeita-te, mulher........

Vitoria Lerinha Haubert
Enviado por Vitoria Lerinha Haubert em 22/11/2006
Código do texto: T298116

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Sobre a autora
Vitoria Lerinha Haubert
Sapiranga - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
266 textos (18685 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 11:02)
Vitoria Lerinha Haubert