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TUDO É REALIDADE, ONÍRICAMENTE REAL

cabeças cônicas de artistas de vaudeville. Carinhas e bocas pintadas pueguianas. Caratonhas e sinais característicos de descrições  fraudadas .Tudo é realidade , oníricamente real.

Peixes azuis e vermelhos com caudas de galo . Galinha ciscando  o chão , luz vermelha.Patife, patifaria, trapaça. E tudo  é realidade, oníricamente real.

Vêrnus e Marte em conjunção astral, carnal , sexual. O pingente da moça de Breton. Arlequinal. A doida fera de mil olhos , todos caolhos .E é tudo  realidade , oníricamente real.

O paraíso  em drágeas, o sonho em azul  e grená. O enterro  e o nascimento  ocorrendo junto, simultâneo . E é tudo realidade, oníricamente real.

Cabeças  cônicas , cabeças  redondas e o Sol  frio no céu escuro. Cabeças e cabaças destruidas, depauperadas . A equilibrista na corda bamba em cima do prédio  de vidro  fosco . Arlequinal. E tudo  é realidade , oníricamente real.

A gosma cobre o vidro  da tevê dançarina. O caminho  de pedras pontudas em que todos os  anões  de roupa azul  devem passar . Parem o fogo fátuo dos cemitérios ! Persigam  o homem  que roubou a Coroa. E tudo é realidade , oníricamente real.

A cantora prima dona , soprano, solta um arpejo , do peito. Esta muda , caluda. O tenor, gordo e despido , desce da torre  palavrãdeando, impropreriando. E é tudo  real , oníricamente realidade.

O  copo  dança na mesa de três pernas  em cima do céu. O rádio  toca música  que eu, como Timothy Leary, vejo escorrendo  em cascatas de notas e pentagramas .Faço da Clave de Sol a minha cadeira. E é tudo  real , oníricamente  realidade.

A larica bate, o estômago xinga , o comprimido  se dissolve no suco  roxo , violeta, vermelho do meu almoço não digerido. Apelo á  deusa careca e sem ouvidos para que me deixe ao menos comer do nectar e da ambrosia .Mas a  deusa , careca e muda  me diz  que só os deuses  podem experimentar o presunto  sem cor nem cheiro. E é tudo  real, oníricamente a realidade.

Ao lado da mesa  e do rádio -cascata , Einstein de lingua á mostra  só me diz.

Tudo é relativo !    
grotius
Enviado por grotius em 22/11/2006
Código do texto: T298703

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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