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A neta do Castelo

     Ri certa vez de uma frase do sr. Castelo: "O presidente Lula como presidente é um excelente comentarista de futebol". Rimos muito desta idéia de Castelo. Depois fui saber que ele lêra uma entrevista do presidente da República das Bananas sobre futebol, e o barbudinho discípulo de Gramsci mostrara um bom entendor das complexidades futebolísticas. Deveríamos impedir a reeleição do sr. Inácio, pois ele ocuparia o espaço de qualquer comentarista futebolístico da midia. Eis aí um grande ideal tupynyquyn que poderíamos levantar bandeira, ou seja, a não reeleição do sr. Inácio.
 
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     A neta do Castelo é uma poetisa. Esta frase é do Castelo, mas pude comprovar quando li uma de suas poesias. Uma era assim:
 
O sol brilha
e mostra ao longe
uma bela trilha
nela tem um monge
que ensina aos ateus
a palavra de Deus
 
   Pude ver nesses pequenos versos que realmente a neta de Castelo é uma fazedora de rimas interessantes, que seguem alguma lógica. A sua insistência no tema religioso é por causa do Castelo, ele tem uma atração toda especial por este tema. Tem uma outra assim:
 
Ainda era um jovem
não se podia chamar
ainda um Homem
nem sequer imaginar...
que viria a ser
o novo nascer
de uma nova era
uma era de amor
que há muito se espera
um salvador.
 
   É inegável a poesia da bela neta de Castelo. Mas o interessante foi como o Castelo descobriu a poesia de sua neta. Certa vez, ela estava em sua casa. Estava em seu quarto, pois o Castelo fizera um quarto todo especial para sua única neta. Ela estudava matemática, pois teria uma prova no dia seguinte. Castelo estava na sala ouvindo suas músicas barrocas e lendo uma poesia de Bilac. Engraçado que Castelo só sabe ler em voz alta. E faz isso em qualquer lugar, no catamarã, no ônibus, num bar, etc. Bem, Paula também acostumara a ler em voz alta. Quem chegasse ali escutaria poesias de Bilac e contas diversas de operações matemáticas; e tudo isso embalado pela bela música de Bach. Mas teve um instante que chamou a atenção de Castelo, pois parara de ouvir a voz de sua neta. Resolveu verificar se a pequena poetisa havia pegado no sono, pois a ciência de Arquimedes esgota qualquer espírito. Chegando à porta do quartinho da menina vira uma cena que o comoveu. Paula estava debruçada à janela e olhava vadiamente a paisagem que se extendia para além de seu quarto. Castelo colocara sua mão sobre a cabecinha de Paula e perguntara: "Que foi filhinha?" Ela respondera: "Nada vô... Acho lindo tudo isso, sabe? Sei lá, dá vontade de ser feliz, de sorrir, de achar tudo rosa, tudo azul, tudo colorido... Sabe vô, as vezes sinto uma felicidade quando contemplo estas coisas, mas não sei de onde vem tudo isso..." Castelo ainda aturdido com tudo aquilo, disse: "Sabe filhinha, você tem sentimento. E os verdadeiros poetas têm sentimento. Você é poeta, querida." Daí em diante Paula pegara um baú e mostrara a seu avô alguns rabiscos infantis. Ficaram ali, e dane-se a matemática, ficaram ali trocando versos e alegrias.
Rodiney da Silva
Enviado por Rodiney da Silva em 23/11/2006
Código do texto: T299111

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Sobre o autor
Rodiney da Silva
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 46 anos
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Rodiney da Silva

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