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FOI POR MEDO DE AVIÃO...

     Alguns arqueólogos descobriram, nos complexos túmulos das pirâmides egípcias, múmias em deslumbrante estado de conservação, mesmo séculos e séculos após suas mortes. Como quaisquer pesquisadores, fotografaram, registraram suas descobertas e, também, recolheram amostras dos tecidos que as cobriam para analisar quais substâncias eram capazes de preservar durante tanto tempo aqueles cadáveres humanos e sanar uma das tantas dúvidas acerca daquela civilização avançadíssima. Qual a surpresa dos cientistas quando descobriram vestígios de coca (Erytroxylum coca), a mesma usada para a feitura da cocaína, entre outras tantas substâncias antidegradantes. Ora: sabe-se que a referida planta é nativa e originária do Peru e da Bolívia, ou seja, costa oeste da América do Sul, e que naqueles remotos tempos não havia contato entre ambos os continentes, pois a navegação ainda não era explorada a tal distância. Como, então, a quíchua kuka latino-americana foi parar nas terras de Tutancamón? E como explicar também a semelhança entre as pirâmides africanas e as estruturas erguidas pelos maias e incas americanos?
       A “Santa” Inquisição cristã e a alta cúpula do Vaticano, nos tempos mais cruéis e homicidas da Igreja, confiscaram e alteraram muitos escritos do Novo e Velho Testamento, ocultando (e isto acontece até hoje) muitas passagens e ensinamentos a respeito de astronomia, de viagem no tempo, civilizações e de coisas profundas que abalariam a realidade e os interesses que, naquela época, deveriam ser transmitidos ao povo na velha e usual formatação de verdade revelada. Assim, em várias partes da Bíblia que hoje conhecemos, Jesus, o mensageiro, também era tratado pela alcunha de Emmanuel. E, antes da passagem de Cristo, segundo o islamismo, o enviado era denominado Maomé. Reparem na semelhança fonética dos nomes. Porém, não termina por aqui. Relatos da civilização maia e escritas em suas misteriosas arquiteturas fazem alusão a um enviado das estrelas que passava ensinamentos de astronomia e de espiritismo aos nativos e que unificou as tribos maias do território mexicano através do calendário mais preciso que a história humana tem conhecimento, o Tzolkin, que divulgava em sua longa caminhada e, reparem, era denominado de Maná. Maomé, Emmanuel e Maná: três povos e três mensageiros diferentes física e temporalmente, mas fonética e filosoficamente parecidos. Mais uma referência ao contato intercontinental destas civilizações numa época sem navios, aviões, telefones ou internet.
      Agora, o que mais chama a atenção para tal misteriosa circunstância é um fato que deixou Hernán Cortez, um dos maiores capitães hispânicos da Idade Média e que trouxe até o México, na época do mercantilismo e das grandes navegações, o cristianismo para ser “aplicado e difundido” entre os “pagãos” ameríndios, boquiaberto. Antes, um parênteses que vale ressaltar. Como observado por frei Bartolomé de las Casas em sua obra A descoberta do paraíso, as navegações cristãs foram devastadoras no Novo Mundo. Em toda América, Cortez e sua laia mataram mais de 150 milhões de índios, isto sem possuir nenhuma arma de destruição em massa e poucas armas de fogo, ou seja, uma população equivalente a ¾ do Brasil foi assassinada a machadadas, facadas e pauladas. As crianças maias, incas e de outras dezenas de tribos de todas as américas serviam como alimentação para os cães e um cavalo, na época, chegou a valer por 70 escravos índios, pois estes eram muito “preguiçosos”, como relatavam os europeus. Depois deles, os ingleses, portugueses, franceses e norte-americanos trataram de dizimar mais 50 milhões de latinos, mas isto é outra longa história. Mas voltando a nosso “herói” Hernán Cortez e ao curioso fato desta estranha ligação entre os continentes e entre os messias referidos, há relatos e inscrições nas construções maias de uma simbologia sagrada que ali existia tinha o formato de, pasmem, cruz. Isto mesmo. Os índios maias, segundo a obra O surfista de Zuwuya, de José Argueles, reverenciavam, antes da chegada dos cristãos e dentre outros símbolos, a cruz tal qual conhecemos hoje. E este fato, inadmitido por Cortez, provocou-lhe fúria e revolta, tanto que o primeiro lugar onde pisara com sua troupe e descobrira a cruz maia foi chamado de Vera Cruz, ou seja, a verdadeira cruz. Como, então, aquele símbolo cristão haveria chegado aqui antes mesmo que o próprio Cristianismo? Quem o trouxe e o difundiu?
     Cabe, então, abrirmos nossas janelas a questões que por conveniência foram deixadas de lado no desenvolvimento da humanidade. Será mesmo que o homo sapiens chegou ao auge da escala evolucionista? Será que a era contemporânea dos computadores e da clonagem realmente significa ‘modernidade’ e até que ponto o homem atual está distante de seu próprio eu natural? Mais: o tempo, esta invenção do homem para marcar o quanto duram as coisas e que o afasta, ao mesmo tempo, de sua essência finita e cosmológica, não existe: o tempo é uma festa à fantasia. E enquanto nos preocupamos com nossa roupa da moda, nosso contra-cheque e com quem matou Odete Hoitmann, o Grande Mistério segue rindo e brincando com a existência de tudo. Assim como nossos minutos seguem, nós, ovacionados por nossa falsa grandeza, caminhamos em sentido contrário à natureza e ao verdadeiro e significativo conhecimento do caminho de nossas almas. Vivas almas-mortas.
Duda Keiber
Enviado por Duda Keiber em 24/11/2006
Código do texto: T300216
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Sobre o autor
Duda Keiber
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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Duda Keiber