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MULHER INGRATA VIII: VOCÊ TEM CERTEZA QUE QUER SEXO?

Realmente, para um homem cuja cabeça de cima só funciona em função das regras ditadas pela testosterona e devidamente coordenada pela cabeça lá de baixo, pouca coisa é mais insuportável do que conviver com uma mulher que insista naquela teimosa e totalmente dispensável (para uma mulher) mania de querer pensar. Pouca coisa mesmo. Pior do que ela pensar, só mesmo os efeitos colaterais e adversos desta disfunção maléfica: aquela insistência horrorosa em achar de questionar todas as suas tão lógicas ordens.
E uma Mulher Pensante descobre rapidinho isso. Descobre rapidinho como isso irrita o Diabo com quem ela vem convivendo. Sabe rapidinho como provocar a ira do Maléfico. Sabe à exaustão como tirar o rapazinho do sério. Mas sabe muito mais do que isso: sabe que provocar a ira do moço não traz grandes benefícios e é o caminho mais direto para seu próprio desgaste emocional. E desgastada e ferida, ela já está de sobra.
Se há algo que não se deve subestimar, sob pena de se arrebentar todinho, é a inteligência ardilosa adquirida ao longo de alguns anos de sofrimento mudo. Há caminhos mais eficientes para que ele pague toda a conta que ela vem, com dedicação de contabilista, registrando no livro-caixa de seu ressentimento. E muito mais suaves. Nossa amiga pensante tornou-se, com a colaboração do seu algoz de tantos anos, a criatura mais terrível que pode cruzar o caminho de um pobre espécime do sexo masculino: A Sádica. Mas, diga-se de passagem, bem-humorada, de vez que se diverte um bocado com o desespero que vai lentamente impingindo ao moço que dorme com ela. E pra quem ligou o nome a práticas sexuais sado-masoquistas, vou logo informando: não é exatamente isso, se bem que até e principalmente na cama ela sabe como fazer o moço lamentar o dia em que veio ao mundo. E mais ainda, o dia em que se descobriu terrivelmente atraído por aquela carinha de anjo. O tempo passado no escuro da toca da Toupeira aguçou imensamente sua capacidade de observação do outro e deu um upgrade na sua habilidade em reconhecer cada milímetro do território obscuro por onde caminha o Demo com quem convive e todas as suas fraquezas. Em todos os terrenos. Sexo, evidentemente, incluído. Ela sabe exatamente em que calos deve pisar.
Tomem seus assentos confortavelmente, amigos: a sessão de tortura vai começar. E no melhor lugar de qualquer história: na cama.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 01/07/2005
Código do texto: T30054

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai