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INFORMAÇÕES TURÍSTICAS!

Era tempo de alguém emendar o belíssimo Sermão da Montanha com este excelente aforismo: bem-aventurados os profissionais atenciosos, pois eles receberão o reino dos céus.
Que abundam profissionais admiráveis em nossa jucunda cidade de Atibaia, não há quem conteste. Basta se aventurar pelas ruas de comércio, meter-se em meia dúzia de lojas, ir a repartições públicas, para constatar a delicadeza, a atenção, a boa vontade com que os solícitos funcionários cumprem suas obrigações. Mas em matéria de profissionalismo, ninguém leva a palma ao afável senhor deste caso que vou lhes contar. Vejam se o distinto não merece uma estátua.
Pois o episódio aconteceu com uma amiga. Dia desses, ela teve de ir até o centro da cidade para fazer qualquer coisa e, precisando estacionar seu carro na rua, viu-se sem cartões de zona azul. Como não fazia idéia de onde os poderia adquirir, a minha amiga caminhou um pouco pela calçada, até que encontrou o sujeito a que me referi, trabalhando numa barraquinha da praça. Muito educadamente, ela perguntou:
- O senhor poderia me dizer onde posso comprar um cartão de zona azul?
A criatura olhou para ela como se estivesse encarando a própria mãe do capeta, se é que o capiroto foi parido nos conformes de praxe. Depois, com um ar superior de quem possui as chaves de todos os segredos do universo, relinchou polidamente:
- Você não sabe ler?
Só então minha amiga viu que ali havia uma placa com os seguintes dizeres:

Informações Turísticas

Estas duas palavras explicavam tudo! O obsequioso senhor, ciente dos limites de seu produtivo ofício, reconheceu acertadamente que aquela informação não tinha um cunho deveras turístico, e por isso não se dignou a responder tal pergunta, uma vez que ela escapava por completo de sua alçada.
Minha amiga, o que foi que lhe deu para fazer semelhante pergunta? Tem cabimento ir aborrecer um diligente trabalhador com disparates dessa natureza? Antes um prego na cara, antes cair num poço do que estorvar a labuta alheia. Veja se emenda essa língua e da próxima vez que tiver ânsias de sair perguntando o que lhe vem à cabeça, aconselho que você se dirija a um cavalo, pois ao menos o animal poderia lhe pagar com um bom coice no traseiro. Aliás, minha amiga, era o que você estava merecendo por atrapalhar o trabalho deste zeloso apóstolo da civilidade.
 Se eu usasse chapéu, haveria de tirá-lo para este excelso cavalheiro. Meu amigo, você é uma profissional! Talvez um tanto saudoso do Terceiro Reich, mas um profissional. Além do mais, nota-se que se trata também de pessoa polida e pacata, pois em vez de perguntar se minha amiga sabia ler, poderia simplesmente ter apanhado um bacamarte debaixo do balcão e escorraçado a impertinente a tiros.
Comecei emendando o Sermão da Montanha e vou terminar esta crônica corrigindo também o grande Amadeu Amaral*, pois imagino que a sua célebre frase  ficaria assim mais com a cara de nossa cidade: Atibaia o quase paraíso turístico na terra!

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* A frase de Amadeu Amaral, slogan de Atibaia, que se encontra escrita em pedra na entrada da cidade, é a seguinte: “Atibaia, o quase paraíso na terra.”
José Antonio Martino
Enviado por José Antonio Martino em 26/11/2006
Reeditado em 26/11/2006
Código do texto: T301726
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Sobre o autor
José Antonio Martino
Atibaia - São Paulo - Brasil, 48 anos
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José Antonio Martino