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ANTROPÓFAGOS E ESCRAVOS





 

Os forais, cartas monárquicas que regulamentavam a administração de terras conquistadas, quando da implantação do regime de capitanias no Brasil, estabeleciam que os donatários podiam escravizar os índios das suas respectivas capitanias. Já em 1559, uma lei estabelecia que cada senhor de engenho podia importar até 120 escravos negros africanos. Tanto os  índios como os negros eram tratados cruelmente. A fuga dos escravos, em conseqüência, tornou-se inevitável. Os negros, distantes do seu habitat, refugiavam-se longe das vilas e cidades, unindo-se em  povoações chamadas de quilombos. Quiçá pela sua procedência longínqua, toleraram ou adaptaram-se ao servilismo escravo com maior resignação. Entretanto, os índios não aceitavam essa submissão imposta. Em razão de terem sido violentamente separados de suas famílias, guardavam profundo ódio e, uma vez fugitivos, preferiam a morte do que voltar ao cativeiro.
Torna-se  motivo para estudos e análises os muitos dados que relatam a respeito da amabilidade dos índios encontrada pelos primeiros brancos (portugueses) que para cá vieram em contraponto  ao que a história geral diz quanto à antropofagia praticada por algumas tribos. Em “Terra Gaúcha”, João Simões Lopes Neto destaca:  “...houve é que, vítimas da extorsão e da violência, em represália furiosa dos sofrimentos aos da sua raça infligidos pelo conquistador branco, quando este caía-lhe nas mãos tratavam-no ferozmente, escorchavam-no, atiravam às fogueiras os despojos palpitantes, dançando em torno delas embriagados de vingança e de “cauin”.
Houve época em que o homem alimentou-se do homem. Época em que a cor da pele determinava o seu valor. E o lugar de origem era o motivo da distinção. Hoje, aculturados e civilizados, os homens já não são mais canibais e escravos. Será?  Quando poucos detêm a maioria das riquezas , em  detrimento de muitos desafortunados; quando o subemprego é uma constante, oferecendo salários ultrajantes, pode-se aceitar a inexistência do Abaporu (antropófago, em Tupi). O que não se pode ignorar é este estado de semi-escravidão causado por um sentimento que beira a antropofobia de uns pelos outros.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 26/11/2006
Código do texto: T301764
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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Cláudio Pinto de Sá