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OS MUTANTES !

(Como envelhecer em paz)
“A cultura como Agente de equilíbrio da Maturidade”.

Os arcos que circundam um barril ovalado têm os seus perímetros desiguais para atuarem em cada área de função, no entanto, nenhum deles escorrega de seu ponto de fixação em razão da compressão que exercem e recebem ao mesmo tempo, essa pressão transforma-os em côncavos longitudinalmente na circunferência ao derredor do barril os atracando sem escorrego, o do centro é de maior  perímetro diminuindo sensivelmente até as extremidades, sem permitir a aglomeração deles motivada justamente pela pressão  imediatamente recebida.
A palha que protege a espiga fica áspera ao passar do tempo, pela circunstância de sua labuta diária contra as intempéries e agentes destrutivos sem que, no entanto, se desfolhe dos engastes que a prendem ao fruto, apenas, de quando em vez, uma se desgarra tombando em direção do caule, todavia, continua com a sua atribuição de proteção.
 Ambos, ARCO E PALHA, têm funções idênticas de proteção, o primeiro, utiliza a força e recebe reação igual, a segunda, usa seu próprio corpo e recebe, de fora, o ataque, rechaçando-o em defesa até com a própria “vida”.  O arco enferruja e a palha enfraquece o que vai dar a relevância do dever cumprido, ou não, é... O tempo!
O tempo é um limalhador constante da vida, de onde, paulatinamente, fica a lhe esfacelar as arestas à procura do cerne aonde, indubitavelmente, chegará um dia. Ele não passa!  Nós é que passamos por ele em esbarradas constantes e às vezes truculentas! E. mais arestas são destruídas!  É impossível contê-lo totalmente, muito embora possamos domá-lo por alguns instantes, retardando os esbarrões sem nos afastarmos muito, no que resultaria numa colisão adiada e violenta.
Se o tempo não passa, fica como solução paliativa o retardamento eventual dos atritos com ele, e isso, só será possível através da cultura coletada durante a vida ainda em nosso poder.
A cultura é o saber popular adquirido através dos tempos e da constante observação do cotidiano, não é um predicado nem uma benesse, contudo, dependendo das circunstâncias, pode ser uma barganha em razão da troca de conhecimentos adquiridos no dia-a-dia, desde que haja reciprocidade entre as partes envolvidas ou interessadas no saber a ser assimilado.
Necessário se faz a observação de tudo ao alcance da visão, como o faz muito bem as crianças por não terem as algemas convencionais dos adultos. Desde cedo, o neném vai aprendendo com seus erros e acertos. Uma coisa é certa: Se o adulto não intrometer, dificilmente uma criança vai repetir o mesmo erro! Dessa forma, desde cedo, o homem vai dando os primeiros passos no aprendizado da cultura.
Quando os viventes nascem, uma aureola os envolve para a preparação do aprendizado, no entanto, como receptores imaturos, portanto, sem predicados e defeitos ainda adquiridos e, também, sem direito a nenhuma facilidade por falta dos meios e da simbiose para a troca necessária, o pouco conhecimento os conduziria a ruína.
Todo vivente está sujeito a ter cultura, mesmo os animais aves e as plantas, não fora isso, como se explicaria os parasitas da flora e os hospedeiros animais, de que jeito algumas plantas sobreviveriam se não procurassem a direção do sol, quando o mais fácil para elas seria prolongar a raiz até o centro da terra ou, mar à dentro até os abismos dos oceanos?
Observando atentamente uma árvore mais antiga, veremos que ela trocou de cascas várias vezes, sempre se protegendo dos ataques dos agentes predadores ou dos males externos, contudo, o seu cerne fica a cada ano mais compacto e rígido, suas folhas tem os pecíolos mais fortalecidos e sua sudação é mais pastosa para melhor defender-se dos inimigos humanos e da natureza. Em locais desérticos, as suas raízes prolongam-se à procura da água salutar, em locais úmidos, as mesmas raízes são curtas como as das bananeiras e análogas.
As Aves, desde o ninho em árvores frondosas ou ressecadas, em campinas ou penedos, aprendem a cultura-instinto e a põe em prática e, tão logo saem do aconchego do “dormitório”, iniciam os vôos com erros e quedas diversas, cruzam os espaços aéreos e até nadam em rios e mares estranhos ao seu ambiente, fazem arribação aos primeiros rigores da natureza ou para o acasalamento, tudo, estribado na cultura recebida, sem dela tomarem conhecimento controlador.
Com os animais irracionais também a cultura manifesta-se através de seus instintos desenvolvidos para as suas defesas do meio ambiente em que vivem os animais selvagens sabem até quando vai chover, quando o inimigo se aproxima e, o domesticado aprende com os humanos o seu “modus vivendi”.
Cultura pode ser um saber do banco escolar, sem que a mesma escola seja a cultura plena, todavia, é uma conjunção-união valorosíssima e  indispensável  se considerarmos que a escola forma  pessoas para os misteres diversificados da vida em todas as especializações conhecidas, bem como, as instrui para as organizações sociais e políticas e de relacionamentos corretos. A cultura prepara o homem para a tomada de providências exata, logo se lhe apresente qualquer tipo de impasse ou fato que possa lhe tolher o passo seguinte na escalada da vida. Uma não está pendente da outra, apenas se completam; pode-se ter cultura sem ter formação escolar, e um estudante da escola, em qualquer nível, pode não ter quase alguma cultura!
Sem dúvida nenhuma, pode-se dizer que cultura é superior ao estudo por ser uma coletânea de tudo que se necessite para o “viver bem” e nada no universo é mais importante do que a vida! O aprendizado escolar depende dos livros, mestres, locais, tempo, estafa de trabalho e outros adjetivos, onde “um” pode ser escasso enquanto o “outro” seria abundante, mas, a cultura depende apenas do receptor e a triagem é feita pelo próprio beneficiado que, em seu livre arbítrio, escolhe e arquiva para a posteridade visando seu bem estar e dos demais.
Tudo isso é cultura! Vacina extraordinária para que possamos chegar numa maturidade lúcida e produtiva.
Na raça humana existem dois tipos de pessoas avançadas em anos, os VELHOS E OS IDOSOS, os primeiros, carregam nos ombros toda uma parafernália de eventos vividos a cada momento de sua existência, tal e qual, um carregador que transporte bombas explosivas junto com os dispositivos de detonação ou, relógio despertador com dispositivo acertado para tilintar, porém, com a hora e os minutos fora da realidade do momento do transporte, leva no mesmo receptáculo presas indefesas e predadores. São, na verdade, um muro de lamentos e uma desnecessária toalha de enxugar gelo e, pior! Contamina todos os que estão por perto com os seus achaques. Já os segundos, aqui denominados IDOSOS, são pessoas que passaram pela vida sem deixar que a vida passe impune por eles, o tempo para eles limita-se apenas a uma somatória de eventos naturais e degradáveis, uns para serem lembrados e, outros, para serem esquecidos sem serem jogados fora, apenas, ficando guardados para uma posterior consulta, caso seja necessário.
Para o “VELHO”, o contar paulatino dos anos vividos, é o encalhamento das perspectivas vindouras e escoadouro das esperanças presentes que lhe escapam em todos os instantes pela falta da aderência cominada pelo seu patente e latente desinteresse por qualquer novidade que lhe bata às portas da existência, simplesmente, porque, se identifica mais com o fracasso da debilidade de seus ossos e neurônios ao em vez de medrar pelo caminho novo que se lhe apresente: é como uma lagartixa a escorregar por uma parede, apenas em razão de ter-se imaginado uma minhoca a rolar pela areia tórrida!
Quando um velho se prepara para dar um matinal passeio pelas redondezas de seu “habitat” preocupa-se, primordialmente, com o tempo e suas desinências, com o horário e seus seguimentos, com os seus agasalhos e os complementos e, com a sua saúde e suas deficiências: já sai de casa bitolado e escravizado aos elementos externos! Ao primeiro obstáculo, por mais simples que seja, começa a lamentar-se e a resmungar.
Sendo o tempo perene, invariável, imutável e perpétuo, tal e qual uma essência sendo coada num conta-gotas dos momentos que por ele os seres se esvaem nos atritos, restam aos viventes adaptarem-se a todas as circunstâncias de convivência, escravidão, liberdade, felicidade e amarguras, dos quais, entre outras centenas de adjetivos, nunca alguém escapará de suas raspadeiras das nossas facetas, dessa forma, um observador silente e de cultura adequada ao tempo e, consigo próprio, normalmente divide os seres vivos em jovens, idosos e velhos. Aos jovens a missão principal de seu entender juvenil é disputar com o poderoso tempo, pouco lhe dando importância se não a do momento presente; já o idoso resvala se aprimorando no aprendizado vindo da mocidade, enquanto o velho colide por nada ter aprendido ou apreendido na juventude: Quando dava um tropeção chutava a pedra!
Uma ressaca alcoólica era vencida com outra imediata bebedeira!
Os amores perdidos eram de imediato, trocados por outros mais jovens e plenos de beleza externa, mas... Vazios de afetos!
Nos momentos de enfermidades, extravasavam nos medicamentos consecutivos e, às vezes, inoportunos e desnecessários!
Cercavam-se de jovens pusilânimes, onde perdiam sabedoria por não as terem no nascedouro!
Esta somatória de descasos, descuidos e indiferença no âmago do aprendizado, sempre leva o velho a um só degrau: o de macambúzio e reclamante inveterado! Se tivesse na mocidade mais próxima ou, longínqua, extraído a sabedoria arquivando-a na pasta de cultura mental, teria no momento presente, amadurecido o suficiente para continuar na vertical vendo tudo e todos de cima de seus janeiros vencidos com otimismo moderado e saber profundo, nunca colidiria violentamente com o tempo, mesmo se estivesse cansado e ofegante, deveria ter subido mais degraus do aprendizado cultural, onde, certamente, ao parar em algum patamar intermediário, veria um horizonte mais abrangente com curvas de níveis variadas e mescladas de vitórias e derrotas transcorridas e, dessa forma, teria continuado a sua subida, degrau a degrau, esquivando-se das agressões e das derrotas anteriormente sofridas, mas... Sendo velho, estanca, titubeante, num degrau qualquer ficando preso entre os acertos e os enganos!
Um IDOSO, em contrapartida, ao inicial tropeço, retira a pedra limpando a sua trilha ou, desvia-se dela para continuar a caminhada pelas veredas da vida.
Ao primeiro sintoma de mal estar, abre o seu baú e dele cataloga o agente ofensor, destruindo-o sem protelação.
Quando se embriaga, usa a ressaca para evitar ou prolongar o início de um novo estado etílico.
Quando ama, escolhe pacientemente e se entrega de corpo e alma em reciprocidade, recebendo e dando os mesmos privilégios e direitos afetivos.
Está sempre circundado de amigos contemporâneos e dos mais jovens, todavia, a única ressalva que faz, é sempre ser o menos sábio dentre eles, por entender que, dessa forma e condição, estará sempre aprendendo com todos sem perder a cultura adquirida pela vida a fora, e, consequentemente, sua sabedoria necessária ao prosseguimento do viver bem recebendo mais uma somatória de pontos que poderá gastar nas ocasiões vindouras, quando se fizerem prementes ou for solicitado por um companheiro.
Lê tudo que lhe cai às mãos, através de seus óculos de graus condizentes e lhe aplicáveis, não se importando com o teor e, sim, com o conteúdo, em determinado momento, aprende com os grandes mestres literatos, em outros, diverte-se com os “Gibis”, “Júlio Verne”, “Ziraldo”, “Luluzinha”, e tantos outros de literatura mais infantil, o que importa ao idoso é acumular conteúdos para um melhor aprimoramento de suas defesas evitando, assim, o embaraçamento e mesmo embargo de seus já cansados passos.
É sabedor que o seu cérebro é pequeno em relação ao corpo que monitoriza, com milhões de agentes nele vibrando em compasso de direção e necessitando de alimento cultural para vacinar todo o organismo que o suporta contra o estresse; aplica de um nicho super protegido, todo o seu saber cultural contra a “mesmice” estagnada de nossos tempos hodiernos, sempre vinculando sensacionalismo a qualquer ocorrência que venha influenciar a “mídia”, ao mesmo tempo, expande o seu campo de ação em curvas voltaicas vacinando seus membros contra todo ataque que se lhe apresente em desacordo com o que aprendeu com as dificuldades passadas.
Um idoso equilibrado culturalmente ao seu sistema escolhido de vida, tem bastante idade sem ser velho, porque os números de seus anos vividos têm a duração ordinária da vida sem permitir que sua existência seja ordinária e reles, nunca será desusado e obsoleto, nem gasto pelo uso limalhador das horas, dias, meses e anos vencidos; a sua sabedoria não vem apenas dos livros, ela é enriquecida para a observação do cotidiano, de onde assimilou o supra-sumo do aprendizado cultural dentre as correntes e moendas que a outros trituraram. Aprende mais com os erros dos jovens e dos velhos do que com o saber de alguns dos mestres, em razão da cultura não ser um predicado de qualidade adquirida na cátedra e, sim, uma prenda conseguida com a virtude, constância e assimilação.
Maturidade é resumidamente: Amadurecer!
Entre o viço da juventude e o encarquilhar dos velhos, um longo caminho vicinal e estreito está estipulado para ser percorrido em sentido longitudinal e único, com ponto de partida na infância e chegada no umbral da morte: limiar da... Vida Eterna!
Ninguém escapará dessa vereda, nem pelo suicídio! Este, apenas transforma a vicinal vereda em rodovia expressa com o fim sendo alcançado da mesma forma.
Quem fez essa predisposição, deu o exemplo enviando o seu próprio filho em predestinação exemplar, o qual percorreu o caminho distribuindo sinais e milagres de como cumprir a tarefa estipulada.
Dos sinais nos dado por Jesus, podemos analisar os meios e os modos do percurso na trilha da vida sem que haja desvio para `as  margens  onde só há tremores e ranger de dentes “, bastando apenas a análise dedutiva dos problemas que se nos envolvem a todo momento.
Inicialmente, ao chegarmos à idade do discernimento, que nunca é igual para todos, todavia, geralmente, acontece por volta dos vinte e poucos anos, temos que “sentarmos à beira da estrada” imaginando e elaborando as seguintes perguntas:
Aonde vou?
Por onde vou?
Como vou?
Quando vou?
O vivente neófito, já nos primeiros anos, percebe que é necessário cumprir várias regras para chegar à meta final. Quando tem a resposta para onde vai sabe que, ao final, terá a morte de seu corpo físico, se for um fraco, ficará nas margens da estrada desvalorizando a trilha vicinal por ser para ele uma luta inglória e ter final previsto, esquecendo-se do laurel do limiar da vida eterna, ou, não acreditando nela, contudo... Acabará sendo engolido pelas margens! Tornando-se um marginal que acabará sendo assimilado por seus pares: É uma semente que teve o tegumento ressecado em piso arenoso, ou uma bananeira que ficou, estoicamente, plantada em piso de paralelepípedo sem dar frutos em razão da estagnação em local improdutivo! Em suma, se tiver os dias prolongados se tornará um... VELHO!
Um outro jovem, perceberá na proposta de “Aonde vai” que as novidades que encontrará pelo caminho terão de ser, a cada passo dado, diferentes da situação em que se encontre e, de pronto, levanta-se da beira da estrada, premunindo-se para a jornada movido pela curiosidade e pela fé vindos do meio familiar, não importando a religião recebida e, também, pela Cultura  que já começa o alcançando ao tomar conhecimento de que, sentado à beira da estrada sem ser filósofo ou um nababo, acabará sendo um vagabundo contumaz preso aos acenos das margens, resumindo: Se chegar ao amadurecimento será um IDOSO!
Ambos poderiam seguir juntos pela estrada vicinal, considerando que o que fora tragado pelas margens tivesse conseguido emersão tomando a mesma trilha.
É, necessário, a seguir, escolher o por onde vai!
O jovem titubeante, futuro velho, escolheria a facilidade, a pompa, as passarelas, o egoísmo, a jactância, a boa condução, as riquezas, os perfumes, o dinheiro, as vitórias e tantos outros tesouros em ouro e em conhecimentos, enquanto, o outro jovem, ao seu lado, futuro idoso, também escolheria vantagens iguais, só, que, o primeiro, se chafurdaria naquelas quimeras, enquanto, o segundo, delas tiraria  o puro extrato jogando na lixeira o bagaço por não querer mesclar-se nas correntes e moendas nelas camufladas, adquirindo, dessa forma, mais cultura para agenciar o seu amadurecimento à caminho dos degraus da maturidade e do limiar desejado!
Parar pelos caminhos é sujeitar-se aos desvios para as margens, pela passividade centrífuga que tende ao forçamento lateral do indivíduo que desdenhe o prosseguir para frente, o que não é aconselhável aos dois viandantes.
 O mais culto elaborará o seu traçado seguinte para saber Como vai pela vida a fora em direção do umbral-porto provisório, para tal, faz uma mnemônica do aprendizado recebido, procurando evitar os erros, enganos e engodos já sofridos por si e pelo acompanhante, enquanto, o que nada apreendeu, também traça o futuro percurso, porém, ao em vez de copiar do companheiro de viagem as boas atuações e decisões, segue as motivações próprias, retirando os obstáculos a pontapés e safanões brutais, ficando cada vez mais lesionado e obtuso o seu “saber” físico e mental.
O idoso, acumulando cultura e, o velho, dilapidando-a passo a passo, todavia, sem perder as jaças e sim o cerne do conseguido, até então, na caminhada.
Como não poderia deixar de transcorrer, em determinado ponto da vereda, os dois, por serem tão antagônicos na apreensão e no entendimento, estariam obrigados a modificarem o tempo e o itinerário, sempre com as margens paralelas lhes acenando em convites constantes para a perdição. Os viajantes já não são jovens naquela altura da viagem e, também, não há comunhão de idéias e pensamentos entre eles, por não terem a mesma cultura autodidata, necessário se faz à separação antes da escolha de “Quando vou!”.
O que nada aprendeu com os acertos e erro imagina que o “quando” ocorrera no início da jornada e, dessa forma, bastar-lhe-á apenas prosseguir pela  vicinal .
O viajante que foi mais perspicaz sabe, pela cultura conseguida com os seus erros e acertos e com os do companheiro, que somente quase ao final da caminhada é que deverá usar a época e ocasião adequada para seguir, isso, porque, já tem o organismo um pouco debilitado pelo tempo e uso da vida, ocasião em que, é mister se faça usar os seus conhecimentos angariados, para evitar desgastes desnecessários e colisões violentas  com as margens e o tempo, sempre perenes e perpétuos ao seu derredor. Dosará o uso externo de seu físico com a não reação e não repetição de erros anteriormente praticados, vendo, ao seu lado, o companheiro saltitante e eufórico pela estrada, queimando energias e recebendo aplausos das margens.  Estão lado a lado, porém, em tempo e modos diferentes de vida, um, usa sua restante energia, o outro, a cultura conjuntural do aprendizado circulando paralelo ao tempo passado e presente, para resultado em seu futuro, por ser um agente inextinguível já que a usa qual um conta-gotas intermitente ao momento do seu uso em comparação com a motivação do momento da necessidade dela.
Na certa, os dois chegarão ao umbral predeterminado, todavia, o que utilizou a cultura, chegará em boas condições e poderá prosseguir para o limiar da vida eterna, com mais adjetivos qualificativos em sua alma ou espírito que transfigurará, enquanto, o outro, já chegará velho e carcomido com dificuldades enormes para a transposição, porque, como disse o poeta “Fagundes Varela” :
“Sua alma é um alaúde desmontado onde embalde o cantor procura um hino, flor sem aromas, sensitiva, morta, batel nas ondas a vagar sem rumo”.
Durante o percurso, o velho enlameou a sua alma com os acenos das margens, enquanto o idoso protegeu a sua contra as vaias recebidas, usando a cultura amealhada e, como sabemos: “A alma pode ser lama, nunca a lama alma será!”
A cultura é o melhor agente de transformação do sazonamento para o amadurecimento total na tramitação para a Maturidade, só ela poderá transformar um Velho em Idoso, dessa forma, reintegrando-o ao convívio social ideal, com sabedoria e conhecimento pleno das deficiências coletadas e lhe imposto nos caminhos da vida.
O “Grande Arquiteto do Universo” não teria feito o homem à sua imagem, apenas para jogá-lo a disposição da tentação das “margens”, o que, na verdade, aconteceu, foi ter-lhe dado o livre arbítrio geral sabedor de que, ao final, Ele retornaria ao Criador trazendo consigo os ferimentos a serem curados após a renhida luta.
Durante o passar dos anos na ampulheta dos tempos, o homem se intitulou e tomou posse como dono do próximo mais carente e menos preparado, galgando posições em degraus mais altos e pisando nos que ficavam embaixo ou abaixo, esquecendo-se de que são os degraus inferiores e seus componentes que sustentam os que estão em comandamento.
Os que estão, assim comandando, compõem-se de uma miscelânea entre os idosos e velhos, porém, possuem as deficiências com menos jaças dos velhos e as arestas dispensáveis dos idosos, deixadas na tangente para que pudesse ser aproveitado pelos companheiros da jornada, qual elétron em química.
Estando no “meio”, os chefes imperfeitos não têm abrangências do conhecimento cultural, com honrosas exceções, e, como fazer o mais fácil é mais conveniente para um grande número de pessoas, dirige os demais com “mãos de ferro” e “coração de granito”, quando, para um final feliz, deveriam praticar a caridade, comiseração e distribuição com os carentes, velhos parceiros da viagem; suas autuações deveriam ser em prol de todos e no aperfeiçoamento da cultura, procedimentos esses que os livrariam das jaças dos velhos e abraçariam, abarcando, as faíscas lúcidas da cultura filada dos idosos.
Nesse meandro de preparo e despreparo, convicção e dúvida, o responsável por uma maioria de companheiros, age, putativamente, distribuindo farelos e restingas aos menos favorecidos e, pior! Achando que está dando dádivas condizentes, cerceando, dessa forma, o crescimento das massas no campo da cultura, por via de conseqüência, o seu próprio aprimoramento para desligar-se de intermediário entre velho e idoso, para a posse total como idoso, portanto... Culto!
Não é apenas no patamar de comandamento e chefia que existe esses Intermediários Incompletos, eles se encontram, também, no meio da massa de velhos e jovens, permeando os eventos com a sua cultura falha ou incompleta, suas ações com os demais são igualmente errôneas por faltarem-lhes a sublimação da perfeita cultura, assim atuando numa liderança precária com o apoio dos seus chefes ou representantes que ficam no degrau ao lado ou imediatamente acima, praticam os mais variados desatinos, a saber:
Tratam o menor como incapaz e irresponsável, marginalizando-o das decisões e do meio social, sem nem ao menos ouvi-lo!
Consideram o jovem como revolucionário, insurreto e libertino, sem procurar entender qual o aprendizado cultural que os estão envolvendo para assimilação, pior! Esquecendo-se de que já foram igualmente jovens!
Relega o velho como desconexo e improdutivo, não aceitando os seus achaques rabugentos e reclames constantes e, quando a mente deles, por ser velha, naufraga na amnésia dos fatos transcorridos ou dos hábitos adquiridos lhes impostos pela vida, logo imaginam que eles colocam em perigo o meio em que vive momento em que, de imediato, providencia-lhes uma penitenciária com o nome adocicado de “asilo”, como se, a reunião de velhos num mesmo local, fosse sinônimo de segurança para eles e para  todos !
Um pouco mais ao alto e, ao mesmo tempo, interligando a todos, está o idoso com o seu saber cultural ilibado, sempre observando silenciosamente e, cada vez aprendendo mais, é prestativo sem se impor aos demais, cala-se nos momentos de refrega nunca reagindo a provocações hostis, cerca-se de outros mais cultos para mais sabedoria adquirir e, ao mesmo tempo, aprende com os erros dos “intermediários” e dos velhos que com ele cumprem a jornada imposta, ao final, será um Anjo! Enquanto os que não se aproveitaram de sua cultura e da de seus pares, terão por anjos os Morcegos intermediários porque, durante toda a viagem, agiram mais como ratos seguindo a rataria sob os uivos das “margens”:
“Para um rato morcego é anjo!”, desde que ele também não tenha a boa cultura, que é oferecida gratuitamente e dia-a–dia a todo ser vivente.
O idoso comporta-se como o sol que todo dia esquenta e ilumina o planeta com os seus raios fulgidos e com fulcro no firmamento longínquo e ação eqüidistante para todos.
Já o intermediário, por sua formação imperfeita, comporta-se como a lua em clarões gélidos e fugidios distribuindo-se em fases regulares de efeitos variáveis, influenciando as “massas” como sempre faz com as marés, todavia, sem evoluir-lhas e sim...  Agitando-as!
Os velhos... Pobres velhos! São candeeiros que projetam a sua fraca luz apenas o bastante para iluminá-los parcamente e parcialmente, suas autuações na vicinal estrada foram apenas do aproveitamento material, serão promovidos apenas, a candelabro se não libertarem-se a tempo e apreenderem a cultura perfeita que os leve a maturidade transfigurando-os  no liminar da vida eterna, após o umbral final, exemplo e conselho que também é aplicável aos intermediários obstinados , até então, em saber o que na verdade não sabem, que é a cultura pura, simples e cristalina nos doada desde o nascimento e sempre a nossa  disposição para ...assimilação e utilização !
O mundo, quiçá universo, será perfeito se cada um fizer honestamente o que deve ser praticado para uma mutação maravilhosa em direção da realização do tudo em todos, com um final de plena felicidade, entrementes, face a utopia dessa circunstância, só cabe a humanidade seguir seu caminho sabendo de que deve ocorrer tudo o que está escrito no “Livro da Vida que o vento da eternidade folheia ao  acaso” como bem disse a sabedoria chinesa, porém, uma tacanha sabedoria, a minha, afirma o seguinte:
Volatilizo todo o meu tino/ na euforia do destino/ em ânsia descontrolada/ sigo reto curvilíneas/ volteio nas longarinas/ e estanco na encruzilhada!
E é exatamente nessa encruzilhada que a minha intuição filtrará o saber cultural para o prosseguimento pela vida em direção ao ponto final.
A cultura levará o idoso a discernir entre o bem e o mal, com a vantagem da experiência arquivada e guardada em escaninho precioso do seu ser de lutador sem ser violento bravo sem atemorizar, honesto sem vangloriar do que pratica e dispersor de sua cultura sem compensação material retribuitiva.
O CULTO nos caminhos da vida tornou-se um MUTANTE das ilusões materiais, transformando-as na verdadeira acepção da separação do trigo do joio. Detesta a discriminação em todas as suas formas, principalmente a da etnia, onde o irmão branco pisoteia os sentimentos do irmão negro relegando-o como um escravo semi-liberto, isso, em pleno século XX; quando tal ocorre, o idoso com a sua cultura quase plena, lança o seu lamento e brado na “praça”, da forma seguinte:
Oh Senhor Deus dos infelizes! Vire o seu olhar ameno para as pobres nutrizes, e segregue o racismo nas profundezas dos infernos!  Para o Senhor nada vale as nuanças da pele nem o gládio da fortuna e, sim, o fervor do coração, a docilidade do humanismo e o desprendimento da razão!
Senhor Deus dos Humanos! Mirai com o seu olhar benevolente a pobre casta de gente vestida de trapos de panos! Deus de todas as raças, de todas as categorias e dos mundos! Lançai o seu brado nas praças, amenizai as alegorias e acautelai os furibundos!
Senhor Deus! Que num penedo transfigurastes em luz, tenha piedade dos meus, em nome de Jesus! Que a luz irradiada desdobre-se em nuanças e componentes, para que a pobre gente negra sinta a realidade! Toda luz é uma mistura de cores, passando pelo branco e pelo negro na pele da criatura... Semente de seus favores!
Deus, meu Deus! Por qual razão os meus, que só tem do Senhor a imagem, insistem em ter o negro na vassalagem, miséria e discriminação? Será que para os segregadores só há valorização na pele envoltória da matéria?
Até nos infernos, tão decantado pelos prosadores, as fauces dos internos são iluminadas pelos fulgores da fogueira eterna, numa mistura de brasa vermelha, carvão preto e corpos suarentos, os quais, na cisterna do lamento... Hibernam! Entretanto, naquele local infernal, há a luz da fogueira imemorial clareando a escuridão do sofrimento e do mal! Apenas o branco perecível discrimina o irmão... Também extinguível!
Branco... Oh branco!  Sua miséria de sentimentos faz-lhe esquecer que o seu intestino é um verdadeiro cancro de fezes em matéria purulenta de negros sedimentos!
Será que o catarro que esvai dos beiços do crioulo é mais nojento que o escarro que flui da comissura dos lábios do branco?
O sangue vermelho do preto sadio irriga os seus brancos ossos e a negra pele, sem discriminação! Quando é preciso, o mesmo sangue esquece o relho antigo e corre na veia do branco em doação, só que, aí... O branco aceita sem vacilar por estar no umbral da morte e tal sangue de crioulo o irá salvar!
Deus meu! Que a sua bondade perene nos dê luz ao coração, em suave realidade sobre os ensinamentos de Jesus! Que essa luz ilumine a alma e o sentimento para os seguintes argumentos:
Não é só na África que existe o racismo, ele aconteceu no Maxismo, nazismo da Alemanha, comunismo e, também, no Cristianismo de barganha!
O escarro que Jesus recebeu no rosto, e que foi o vestibular do seu caminho ao Calvário, não tinha cor nem gosto, no entanto, os lábios que o defecaram eram rosados e de um branco em desvario.
               
FINALIZANDO:
A cultura leva o homem à eternidade e, prosseguir nesse tema, com mais argumentos, seria como tentar enxugar gelo com toalha felpuda, ou contar os segundos do infinito, dada a incomensurável capacidade da cultura em relação a outras grandezas conhecidas.
         
                                                 
(aa.)Sebastião Antônio BARACHO
conanbaracho@uol.com.br
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Enviado por Sebastião Antônio Baracho Baracho em 28/11/2006
Código do texto: T303877
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Sobre o autor
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Coronel Fabriciano - Minas Gerais - Brasil, 79 anos
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Sebastião Antônio Baracho Baracho