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O deus do futebol

Às vezes temo pela lucidez do meu amigo velhajovem. Fico embaraçado, penso que o "elixir da eterna juventude" está perdendo o efeito, pela pobreza de minerais da nossa alimentação, a poluição que se respira e que vai corroendo os pulmões.

Afinal, este "elixir" ou quem o descobriu, previu estas atrocidades contra o ser humano?

Mas, se ele proprio não se abala e ainda vai ter que mijar em cima do meu cadáver, como diz, para cumprir o sagrado ritual alquímico da amizade eterna, fico calmo.

Às vezes me aborrece com certas afirmativas: jura de pés juntos, pela honra de Zarazara o alquimista, que conheceu o futebol na Itália. Que no seculo XV o futebol era praticado em toda peninsula Itálica, e que em Florença, só era menos popular que as grandes cavalgadas dos nobres senhores da renascença, e seus séquitos magnificos.
O "popolo minuto" (raia miúda), se esgoelava por seus ídolos nas tardes de domingo.

Velhajovem o apreciava, apesar de pertencer aos quadros da nobreza.

Finjo que acredito para não aborrece-lo e não me emputecer mas ainda vou pesquisar a respeito.
Oficialmente foram os Ingleses os donos da pelota, ou será que até os Ingleses se apoderaram dos tesouros da Itália? Verificarei!

Pouco me interesso pelo futebol que está aí. Tem uma meia duzia de jogadores no mundo atual. Os outros, são como touros enfurecidos correndo atraz da bola. E como ganham dinheiro, estes trabalhadores da bola. se os trabalhadores da Ciência, da Educação, e da Saúde, ganhassem estes salários, a terra seria um lugar mais bonito, mais respirável!

Se pelo menos a gente visse alguem parecido com o Gerson, o Tostão, o Zico, o Platini, ou o grande Maradona, craques que eu ví jogar, e que me encantaram, seria razoável.

Às vezes, eu ficava com a boca aberta quando o Zico pegava a bola, aliáz, era a bola que pegava ele. Ela ficava tão pequenininha, tão humilde que quase não se via; sabia que estava alí nos seus pés, mas não se via, ou a via muito pequena. A bola enorme, ameaçadora, nos pés  dos "craques" de hoje, era nos pés do Zico, do Gerson ou do Platini, uma bolinha de ping-pong.

O Maradona parece que amarrava a bola com um elástico invisivel, ele corria e ela ia atraz dele. Era como se ele a conduzisse com o pensamento, e ela aceitava compassivamente.

Não creio que o futebol vá produzir craques encantados como os que eu amei. Nem creio que possa aparecer uma seleção de futebol que me encantou como a Holanda e o seu "Carrossel Holandês".
Apesar de ser Brasileiro e torcer pelo nosso futebol, nunca houve uma equipe de futebol mais espetacular que o "carrossel".

Velhajovem concorda comigo. Nisto temos algo em comum!

Velhajovem acompanha o futebol desde os anos 30, quando realmente ele ganha força na Europa.
Puskas e di Stefano foram os maiores jogadores que eu vi jogar lá fora: Deuses da bola, diz!
Leônidas, Zizinho, Ademir, Domingos da Guia, Didí, Garrincha, Nilton santos e Pelé, aqui.

Mas nunca existiu um jogador mais perfeito que Heleno de Freitas. se o futebol tivesse um único Deus, este Deus seria Heleno!

A bola o perseguia pelo campo, se recusava a dialogar com outros jogadores, se heleno estava por perto. Mesmo fugindo, ela seguia ao seu encontro!
Todos os apreciadores de futebol da minha época, não entendiam a relação entre Heleno e a bola.
Mesmo brigando, xingando, cuspindo-a ela o amava mais que os outros que procuravam a sua intimidade sagrada!

Heleno de Freitas foi a personificação do futebol!

Foi quando exigí uma comparação: Eu preciso saber... " E o Rei?"

Bobagem esta comparação. Comparado a Heleno de Freitas ele foi um jogador comum!

E mais não disse, e não perguntei!.



         "Aos verdadeiros Deuses do futebol,
             os que foram esquecidos!"




Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 28/11/2006
Reeditado em 26/04/2007
Código do texto: T304069

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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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