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Pós-história

a Edward Bloom


   Quem poderia escrever uma bela história? Veja bem: uma bela história e não apenas uma história. Digo isto porque na maioria das vezes o belo não está nos fatos, mas no sabor de apenas contar histórias. Não falo dos documentos, nem das pesquisas enfadonhas, nem das entrevistas com múmias. Mas falo da delícia da invencionice, da viagem da imaginação, da loucura e do devaneio de homens e mulheres que vão construindo suas impressões aleatoriamente. História de gigantes, de aventuras, de monstros, de amor, de luta, de alegria e tristeza. Uma história que tornar-se-ia a própria História, o próprio Mito, a própria Lenda. Mas não aquela história que busca os fatos. Somente os fatos. Insisto, o belo não está nos fatos. O belo está no contador. Sim, o contador é o belo em si.
   Na história da crucificação de Jesus, a história termina quando o Senhor morre. Mas o contador continua com a Ressurreição. Onde está a beleza da história? Na morte ou na ressurreição do Cristo? Se Cristo apenas estivesse morto, não teríamos o blues do Alabama. Não teríamos o Monte Moriá do Harlem. Não teríamos Primeira Coríntios 13. Não teríamos as louvações amorosas camominianas. Não teríamos toda a literatura medieval. Não teríamos Agostinho, Tomás de Aquino, Lutero. Não teríamos a Inquisição e nem o seu fim com a entronização humanista. Não teríamos Pascal. Não teríamos Chateaubriand. Não teríamos Tillich e Bultmann. Não teríamos Nietzsche. Não teríamos o Padre Antônio Vieira. Como seria não termos Vieira? Não teríamos os spirituals dos negros da América. Não teríamos Aretha Franklin. Não teríamos aquela guitarra redonda do grande BBKing. Não teríamos Clapton. Não teríamos as belas páginas neotestamentárias que nos arrancam lágrimas de sangue. Não teríamos a Cruz. O que sentiríamos quando olhássemos para uma cruz? Nada, apenas pedaço de madeira. Não teríamos o Pai-nosso. Não teríamos a redenção. Não teríamos sonhos com o Éden. Não teríamos sentido de quando acabasse o sentido. Não teríamos um remédio ao desespero. Não teríamos tudo isso e muito mais que faz parte do rol imenso da humanidade que responde por sentido. E ainda não teríamos, porém sem muito importância, as letras deste escrevinhador tolo. Porque meus dedos pisam estas teclas em busca do Verbo.
Rodiney da Silva
Enviado por Rodiney da Silva em 29/11/2006
Código do texto: T304335

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Sobre o autor
Rodiney da Silva
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 46 anos
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Rodiney da Silva

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