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M A N U T E N Ç Ã O

 
A viagem interpretativa, ou mesmo semântica, de um termo, ou de um conjunto de termos, enriquece a compreensão que se possa dar, ou ter, do assunto em questão. Assim, quando ouvimos, ou lemos, certas palavras, ou grupo de palavras, insinuamo-nos em variados pensares. É evidente que muitas dessas interpretações são pessoais, próprias de uma corrente e, até, tendenciosas. Se disséssemos que uma pessoa matou outra e parássemos por aqui, a “viagem interpretativa” acima citada, jamais chegaria às causas ou justificativas. O morto, deste exemplo, poderia estar agindo como agressor, tendo o circunstancial matador agido em legítima defesa. Poder-se-ia afirmar que nada justifica uma morte não natural. Por essa seara as discussões atingiriam o infinito.
Alicerçado nessa ótica, passo a divagar sobre o vocábulo título. E quão bela é sua aplicação. Bela e necessária, até que o tendencioso se apresente. Nesse ponto, iniciam-se as controvérsias. Inicialmente, eis algumas “manutenções” aceitáveis: da família, das estradas, de bens materiais (veículo, aparelhos) etc. Seguindo, e, agora, adentrando o devaneio, imaginemos a cena em que a estupefação toma conta de um cliente de uma padaria quando, ao receber a conta das suas compras, aparece um item salientando: “manutenção da padaria”. Em seu roteiro, encontra igualmente “manutenção da fruteira”, “manutenção da farmácia”, “manutenção do açougue”, e outras manutenções. O nosso herói, em questão,  sempre pensou que o lucro daquelas unidades comerciais seria a fonte para a sua manutenção. Regressando para a vida real, ainda bem não chegamos àquele ponto. Será, mesmo? Bueno, da padaria, da fruteira, da farmácia e do açougue ainda não recebemos manutenções. Mas, o caro leitor já parou para examinar o extrato do segmento que mais lucrou no Brasil nos últimos anos, os Bancos Comerciais?. Mensalmente vem impresso: “manutenção da conta”. Ora direis, manutenção da conta! Aquelas pequenas unidades comerciais retiram do lucro a manutenção das suas empresas. Os Bancos, não. Além de todo lucro auferido, tendenciosamente aplicam um verdadeiro escárnio com a tal de manutenção da conta. Perguntaria o último sonhador: onde estão os poderes constituídos? Alguns, livrando-se dos mensalões, outros propondo aumento nos seus ganhos públicos. E a manutenção da conta bancária fica no âmbito da viagem interpretativa, da semântica. Ou da bazófia, eis que em muitas situações o melhor é não saber de nada, não ver nada.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 29/11/2006
Código do texto: T304484
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23327 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá