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FEALDADE.

   Do latim  foedalitate – Qualidade de feio.

Há amigos prestimosos e dedicados que se esmeram na prática de agraciar, os virtuais essencialmente. Talvez, porque numa relação real se esbarre em assuntos e matérias cruciais e ao serem esmiuçados mostrariam o que de verdade se quer ocultar. Quem sabe ainda, porque se acredita tenha mais beleza a relação ilusória, o jogo, a fantasia. Quero, contudo, esclarecer de antemão que estas palavras não cabem, de maneira alguma, a nenhum amigo virtual, em específico. São apenas divagações, preâmbulo.

Mas, voltando a enfatizar os gracejos virtuais, atualmente, se é agraciado a todo instante não com um simples Bom dia! Boa tarde! Um mero Boa noite! Ou com um dúbio - Com estás? – Mas sim com ramalhetes virtuais, belíssimos, com uma variedade de mensagens que trazem em si a tradução de um cumprimento, de uma preocupação ou de uma expressão mais entusiástica de um carinho. Quantos recantos longínquos ou vizinhos chegam ao conhecimento em forma fotos ou eslaides – projeções de anseios ou intercâmbios do que já não cabe mais ficar no isolamento. Inúmeros autores, cantores, músicas, gente comum e as de fama tornam-se conhecidos no todo e a todos através dessas manifestações. Quando se interage verdadeiramente perceptível se faz o sentimento de comprometimento e amizade.

Creio que se tem hoje em dia uma grade eclosão da exposição do belo através desta vitrine de rotatividade globalizada. E, um alijar surpreendente do feiúme.

Foi na busca de bem responder e agradecer as mensagens de amigos, que muito amiúde me enviam o que há de mais belo, que enveredei por estas digressões, como às que compõem todo o corpo deste texto, melhor esclarecendo. Isso em virtude de estarmos, nas entrelinhas de uma mensagem e outra discorrendo, ainda que de modo muito brando sobre assuntos tais como tempo, beleza e outros. Obviamente, a brandura dar-se pelo meu parco desconhecimento a respeito de um tudo. Claro! Assim procedendo percebi como o virtual, realça o belo, preenche vazios e a fasta o sinistro – o feio, o que não merece destaque. Além do que quando me dei conta estava, eu, como digo ensaiando. Discutindo sobre coisas existenciais, construindo um conhecimento muito... Como diria meu filho - "Muito massa, cara!"
Divagante, além das percepções sobre o mundo virtual pude traçar minhas próprias considerações sobre matérias filosóficas.
Deste modo tenho a dizer - Que deixando um pouco a relevância dada à beleza e pondo à parte às catástrofes naturais. Assim como certos tipos de comportamentos - os torpes, de alguns Homens, presumo que, o que resta de feio ou repugnante seja algo bem relativo, e, muito dependente das circunstâncias e pontos de vista daqueles que lhes observa.

Tomando Platão, que diz que - “A forma da virtude é uma só, mas o vício tem uma variedade infinita”. Pondero sobre a virtude, àquela, definida por ele, Platão. Na mesma linha de pensamento supondo para o belo a existência de uma única fonte, não obstante, tendo-se os gostos e aptidões de cada Homem, ou seja, o exercício do livre arbítrio, resultando no surgimento da gama de torpezas e feiúras. Todavia no âmago de cada aberração encontra-se o germe do belo e virtuoso. Aclarando quero dizer que a fealdade é algo circunstancial e penso que seja ela muito necessária ao progresso da humanidade - Um parâmetro a serviço do tempo que busca a perfeição e excelência, em suma, objetiva a Beleza como o ideal. Muito a propósito e apropriado foi à referência a Heráclito feita por um desses amigos para finalizar o razoamento de uma conversa nossa.

Agradecida a sua dedicação, que muito me tem subtraído de alguns momentos de desconforto me ofertando, em câmbio, outros tão agradáveis ao ver, ler e ouvir o que me envia. Faço das palavras dele o ponto final para encerrar às reflexões sobre os temas supra referidos “... La única cosa que podemos hacer ante su paso inexorable es vivirlo!! Vivir el tiempo, que fluye y no nos deja "pisar dos veces el mismo río", como ya decía Heráclito.”



PS. A você meu amigo Iwan os meus agradecimentos.
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 30/11/2006
Reeditado em 01/06/2007
Código do texto: T305899

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 51 anos
476 textos (16066 leituras)
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Cláudia Célia Lima do Nascimento