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BOCAGE NA ESCOLA II

Crónica de
Assis Machado

II

A sessão de autógrafos levou uma boa meia hora e mais duraria se um contínuo zeloso não interviesse a pôr ordem naquela ingénua barafunda. E se, de início, a pequenada apenas solicitava o popular “Compadre Alentejano” depressa se apercebeu que naquele lugar à disposição estava igualmente uma importante artista e, vai daí, a boa da Dona América teve que dar à sua caneta durante largos minutos.
Finalmente chegou a hora da refeição com a qual muito gentilmente a Direcção do Externato presenteou os nossos convidados. Foi em ambiente de agradável convivência que decorreu este almoço, o qual os nossos convidados muito apreciaram, nomeadamente o caldo verde tradicional. Claro que não há bela sem senão. Ainda o repasto não terminara e já uma pressurosa professora assumia ao fundo da sala, protestando da demora da sessão literária que, no fundo, era o ponto alto da vinda dos convidados. Foi-nos dito que os alunos já estavam impacientes e que sentados esperavam há coisa de trinta minutos. Que já tinham visto a exposição sobre Bocage mas que se fazia tarde para as inevitáveis últimas aulas da tarde.
Passei mensagem para dentro e depressa me dirigi ao Pavilhão festivo onde se concentrava a plateia juvenil e alguns professores resistentes com ela. Procurei, então, aproveitando este hiato, conversar com eles durante alguns minutos acerca do evento que ora comemorávamos, isto é, sobre o 2º Centenário da Morte do Vate Sadino. Destaquei o tempo histórico que lhe dá enquadramento e o seu valor na panorâmica das Letras Nacionais. Estava eu com a assistência ao rubro quando, de rompante assomam à entrada do Pavilhão os convidados de honra. Foram aplaudidos como era de esperar e, enquanto tomavam lugar na mesa de honra, expus eu próprio uma reduzida súmula biográfica dos nossos artistas.
Chegou, por fim, a vez de os ouvirmos. Primeiramente América Miranda saudou a assistência presente, que lhe retribuiu espontaneamente. Dando gentilmente prioridade a João Carvalho este, em alguns minutos, traçou uma ligeira panorâmica da sua experiência como actor e homem de cultura, testemunhando e realçando o papel cada vez mais significativo da juventude para a revitalização dos valores da nossa sociedade, incentivando os alunos presentes, e toda a Escola, para a necessidade de prepararem o futuro com toda a pertinência, empenho e, porque não, ousadia, à imagem do exemplo deixado por Elmano Sadino. Tendo sido ouvido com atenção por todos, João Carvalho presenteou-nos depois com a leitura dramatizada de alguns textos de Bocage. No final, ninguém ficou indiferente à sua mestria tendo sido o actor merecidamente muito aplaudido.
Por sua vez América Miranda, alardeando a sua vistosa e convincente forma discursiva, versou durante largos minutos sobre a vida de Bocage, realçando as suas aventuras nos seus relacionamentos com o mundo feminino. Opção esta que agradou sumamente à jovem plateia. A sua brilhante e rica dissertação foi ouvida sempre com toda a expectativa e interesse. Muito aplaudida, não deixou por seara alheia os seus dotes de declamadora, dando-nos a oportunidade de a ouvirmos declamar – como só ela sabe – dois dos mais conhecidos Sonetos de Bocage. Como era de esperar foi, ao terminar cada um deles, muito ovacionada.
A culminar as duas brilhantes intervenções assistimos a um momento poético e musical preparado por uma das Turmas de Humanidades do 11º ano. A mesma que tinha preparado uma pequena exposição alusiva ao evento. Em primeiro lugar um aluno fez a leitura de um soneto de Bocage dedicado à Liberdade e, de seguida, toda a Turma leu, em expressão dramático-jogralesca, um outro soneto bocageano sobre o mesmo tema. Na sequência desta participação o professor de História da mesma Turma resolveu interpretar, com a ajuda dos seus alunos, um soneto bocageano para o qual compôs a respectiva música. Foi esta a melhor maneira de terminar esta sessão cultural que, em jeito de suplemento, ainda incluiu uns minutos de perguntas directas, tanto por parte dos alunos como de alguns professores, aos convidados que, muito delicadamente e com toda a franqueza, responderam a contento, como se impunha.
E terminou esta visita e esta dinamização, num espaço escolar, que a escritora e poetisa América Miranda e o actor João Carvalho proporcionaram.
A Direcção do Bartolomeu Dias, muito reconhecida por esta experiência gratificante, procedeu à entrega de uma lembrança aos convidados que, muito sensibilizados, se despediram sem antes prometerem disponibilizar-se para uma próxima visita noutra oportunidade.


Assis Machado
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 01/12/2006
Código do texto: T307119
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Sobre o autor
FRASSINO MACHADO
Odivelas - Lisboa - Portugal
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