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ANTIGAMENTE
 
 
                    Até a metade do século passado, isto é, na década de 1950, anedota era o que atualmente chamamos de piada. Os causos de antigamente são os contos de hoje.
                    Naquela época um causo ou uma anedota que fosse pornográfica ou pejorativo, contendo palavrões, era bem restrito. Só eram contados em rodas reservadas, formadas por adultos e quase que cem por cento por homens. As mulheres ficavam longe dessas rodas.
                    Somente os causos ou anedotas consideradas de salão, que não continham termos fortes com malícia, eram contados livremente em qualquer ambiente. 
                    Pinico era chamado de urinol e todos os membros de uma família usavam.
                    O lindo beija-flor era apenas um cuitelinho.
                    Hoje em dia falamos dos contos eróticos ou das piadas, que são contadas em qualquer lugar e horário. Os gestos e palavras obscenas são escancarados para quem quiser ver e ouvir. As crianças desse novo tempo sabem de tudo na mais tenra idade. Garotos de dez anos nos dão aulas. Com o advento do computador, informática e internete, os internautas mirins [de oito anos em diante] navegam naturalmente e até namoram e fazem sexo virtual.
                    As pessoas consideradas pederastas ou lésbicas, hoje mundialmente chamadas de homossexuais viviam escondidas. Sabíamos que existiam, mas nem sempre os víamos. Uns poucos deles se expunham com mais afoito.
                    Só uma coisa já existia e estava previsto no Código Civil Brasileiro. A constituição de sociedade conjugal, que podia ser feito através de um contrato particular, passível de ser registrado no cartório de registro de títulos e documentos, ou mesmo ser feito em cartório através de  instrumento público [escritura].
                    No CCB antigo não estava  previsto e nem defeso pessoas do mesmo sexo constituir esse tipo de sociedade.
                    Por sorte a nova legislação agora permite o casamento de gays ou homossexuais. Assim ficou corrigido um tremendo erro de mais de cem anos.
                    Antigamente homens, mulheres e crianças cumprimentavam-se ao se cruzarem nas vias públicas. Nas pequenas cidades todos viviam uns para os outros. Se alguém ficava doente ou sofria um acidente grave, todos corriam para ajudar.
                     Hoje em dia as pessoas agridem-se mutuamente; perambulam pelas ruas; dormem ao relento; são atropeladas, assaltadas por trombadinhas e trombadões, e, na maioria das  vezes tratamos de sair de perto e ficar o mais longe possível para não nos comprometermos.
                    Lembro-me até com saudade dos tempos em que indo a pé para a escola, passava alguém de bicicleta ou a cavalo e nos oferecia aquela famosa carona. Normalmente a gente aceitava e seguia tranqüilo. Totalmente despreocupado. Não existiam os pedófilos por nossas bandas. Passava alguém de caminhão, trator, caminhonete ou outro veículo qualquer igualmente pegava-mos uma carona sem qualquer preocupação.
                    Se na atualidade a gente oferecer carona para uma criança, corremos o risco de sermos acusados de coisas que jamais passou pelas nossas cabeças. Tem maldade por todo lado. Cobra querendo engolir cobra. E todos querendo levar vantagem em tudo.
                    Havia esquecido de citar um item muito importante. A maledicência e os fuxiqueiros de plantão também sempre existiram no mundo inteiro e nunca se acabarão. Sabem aquele caboclo que andava de um canto para o outro à procura de novidades e uma boa fofoca para espalhar nos quatro cantos da cidade? Pois é, lá na minha querida e amada São Sebastião também tinha.
                    Essa minha crônica tem por objetivo lembrar dos tempos em que eu e alguns dos meus amigos de infância e adolescência vivíamos felizes, sem nos preocupar com os problemas do mundo.
                    Eu, o meu irmão Leonildo, os amigos Jonas [o carioca], Dante Santana, Toninho Cachoeira, Velacinho, Angelina Anselmo, Isabel, Durval, Pepe, Maria Amélia, Lourdes, Conceição, Luiz Fernando, Ítalo de Luca, Josino da padaria, os irmãos Rubinho, Rodolfo e Raul da Sorveteria Rocha e outros mais cujos nomes não lembro no momento, inclusive de alguns que partiram deste mundo, abusávamos do direito de ser feliz, pois tínhamos a música e os encontros musicais como um estandarte  capaz de nos distanciar de toda tristeza e maldade que pudessem existir.
                    Infelizmente já estou radicado em Guarulhos há vinte e oito anos e na Grande São Paulo há mais de quarenta anos, por isso quando vou a passeio lá para São Sebastião, muitas vezes me sinto um forasteiro, tal as mudanças que a cidade sofreu.
                    Pra finalizar, conto um causo de antigamente:
                    A nossa professora de biologia pergunta a  um dos alunos, nosso amigo, é claro.
                    Fulano, você sabe o que é um batráquio?
                    - Sim professora. O sapo é um batráquio.
                    Satisfeita com a resposta a professora falou:
                    - Muito bem. Resposta correta. Mas por que o sapo é um batráquio?
                    -  Por que é? Por causa do jeitão dele. Feio e de boca grande.
                    E a classe inteira caiu em gargalhada.
 
 
 
 
 
CLEMENTINO POETA E MÚSICO
Enviado por CLEMENTINO POETA E MÚSICO em 16/08/2011
Reeditado em 18/08/2011
Código do texto: T3162555
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
CLEMENTINO POETA E MÚSICO
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 68 anos
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