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Texto

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES

É claro que não sei dizer muito bem de onde surgiu este ditado popular tão conhecido, e até acho difícil que alguém possa dizê-lo com segurança. Existem outros ditados parecidos assim como: “casa de ferreiro espeto de pau”, e até algumas explicações bem razoáveis que dizem que este ditado tem origem na Bíblia e cita o capítulo do Evangelho de Marcos cap. 6 : 4-5 – “Jesus porém lhes disse, não há profeta sem honra senão na sua própria terra, entre os seus parentes e na sua própria casa”. Mas posso lhes afirmar por experiência própria que ele é bem verdadeiro e atual.
Eu tenho 67 anos de idade, me desculpem se o retrato que aparece na foto do meu perfil, mostre um cara bem mais novo (uns cinquenta mais ou menos), no tempo que eu ainda jogava futebol no veterano do Esporte Clube Guanabara , num campeonato que tinha um nome bem apropriado, “Campeonato dos Cansados”. Desculpem o preâmbulo, mas voltando ao velho deitado, ops, quero dizer ao velho ditado e a minha experiência. Na realidade eu já escrevo a muito tempo, desde que era criancinha já rabiscava meus textos infantis nos muros e nas paredes da velha casa de campo onde morávamos, cheguei até a ganhar vários prêmios de redação nos colégios por onde passei, e  no meu trabalho, todos os ofícios e relatórios sempre eram ardilosamente passados para que eu os fizesse. Mas fazer o que, eu até que gostava, era uma espécie de reconhecimento a minha capacidade intelectual e inventiva. Mas em casa, antes do advento do computador, eu enchia cadernos e mais cadernos, com os meus escritos, com as minhas poesias de poeta amador desconhecido e desconsiderado, nunca recebi um elogio e nenhuma crítica da minha esposa e nem de meus filhos, que quando liam um texto meu, sorriam sem dizer absolutamente nada.(existe coisa pior para um escritor, mesmo que ruim?) como se fosse, mais uma mania de velho que não tem coisa melhor para fazer.
Mas um belo dia a luz se fez, incentivado por um querido colega de trabalho ( Professor Alexandre S. Ribeiro) que admirava o que eu timidamente lhe mostrava, acabei criando a um ano atrás, um blog, onde eu de uma maneira bem tímida, colocava alguns textos a exposição pública, o que não surtiu muito efeito, pois o blog não é muito visitado, ou talvez  porque eu não saiba muito bem como divulgá-lo.
Descobri por acaso o Recanto das letras, naveguei avidamente pelos textos publicados, e meio com receio de não ser bem recebido, ou pelo menos compreendido, resolvi me inscrever e publiquei a minha primeira crônica e a minha primeira poesia, de um poeta grotesco e provinciano. Foi ai que eu me encontrei, pois descobri um mundo, onde pessoas com mentes infinitamente mais privilegiadas que a minha, pelo menos falam uma língua que eu entendo, uma língua onde eu também consigo me fazer entender, embora claudicante, mostrar as minhas humildes e sinceras excentricidades.
Obrigado por me receberem tão bem e já me considerarem um de vocês.

Ciro Fonseca
Enviado por Ciro Fonseca em 13/09/2011
Reeditado em 17/09/2011
Código do texto: T3217638

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Sobre o autor
Ciro Fonseca
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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