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Emoções_ "Valer a Pena"_

Valer a pena

 

          No varal de nossas emoções, âmago das nossas mais sentidas íntimidades, habitam nossas vontades, nossas ambições, nossos sonhos, nossas realidades. Sensações, as mais desconcertantes às vezes. comuns ao nosso dia a dia, desfilam, quietamente, fazendo parte de nossas vidas, na sutileza das suas formas nos conduzindo a nossos objetivos. Costuma-se dizer que sejam o prumo das nossas vicissitudes, porque no silêncio que se apresentam, fazem parte de nós mesmos, tácitamente. As ponderações, a subjetividade de nossas vidas são importantes para que saibamos conduzí-las, em total harmonia, que nos compita avaliar. Sempre nos fogem considerações de detalhes por serem tão próximos, que passam desapercebidos. Praticamente isso é uma regra, não porque as ignoremos propositadamente, mas tornou-se corriqueira tal, que nem estimamos percebê-las. Tudo na vida tem sua razão de ser. Nada é por acaso, mas compete a gente organizá-la e aceitá-la como meta de observação. Vale a pena tudo, mesmo as mais singelas, voláteis  e/ou nas suas mais usuais simplicidades de oferecimento, mas presentes à nossa existência.

         Vale a pena quedarmos minutos, segundos, horas para nos extasiarmos com tanta beleza que a natureza nos oferece. Numa multiplicação de formas, cores, sons que são parte do mundo que nos cerca. As manhãs, repletas de luz, avivando todas as cores e incentivando suas apresentações, dando vida, magia ao nosso ambiente. Quer ver como é delirantemente lindo o nascer do sol, nossa fonte de luz e calor? Nasce, sutil, ingênuo na sua forma, esquivo sem dar valor a tudo que representa.Vida, calor, cor. E, na parcimônia de sua grade de valores, ele é considerado o astro-rei. Que maravilha, observarmos as flores em suas variações de cores e matizes, seus odores característicos a cada uma, espargindo em todas as direções seus mágicos objetivos: tornar nossa vida mais encantadora, mais feliz na sua essência. Com esta luz valorosa, temos a incrível sensação de luz e sombra nas esferas de arte-beleza. Os matizes mais detalhados que a cor sugere, nos reflexos da luz solar, enaltecendo-os e qualificando-os. Luz e sombra dançam juntos na elaboração de nossos desenhos, nossas pinturas, pois são a base da nossa observação para compormos nossos trabalhos.Vale a pena e muito, ousarmos tranqüilamente, seguir as normas que a natureza nos perpetua e, graciosamente, nos envolve e oferece.

          Vale a pena pararmos um pouco para observarmos os pássaros, que passam velozes em suas trajetórias, cheios de entusiasmo e felicidade. Os sons emitidos pelas suas cordas vocais são ternos, meigos, em delicados tons que a natureza os concedeu, formam melodias celestiais de grandiosidade eterna, angelicais. Voam soltos, em total liberdade, querendo alcançar o que suas metas os incentivam. Lindos, em suas apresentações, navegando em  coloridas penas de intensíssimos matizes de felicidades. Voam juntos, voam em bando, em família para alcançarem seus objetivos de vida. Às vezes me dá uma vontade louca de ser um pássaro destes, voando sem rumo, lépidos, felizes numa despreocupação de obrigações que nos acorrentam e cerceiam uma vida mais bonita, como seres humanos.

          Vale, e muito, tornarmo-nos invisíveis para ouvirmos mais nitidamente o balançar que os ventos brincam com a vegetação. Brincam de esconde-esconde nas palmas dos coqueiros, nas folhas verdes mais novas que se equilibram em suas hastes, numa ginga sensacional de ternura, que só uma aragem celestial pode as presentear. Balançam, gingam feéricamente em sons inaudíveis a nós seres humanos. Invisíveis deveríamos estar para poder avaliar mais de perto os ruidos das cascatas que se lançam, atabalhoadamente, impetuosamente, para jorrarem rio abaixo como num carrilhão de magias a marcar horas tardias. As ondas do mar, fustigando-se em rítmos sincopados nos volteios deslumbrantes, salgados e doces, num palco enternecedor de apresentações, lançam ruidos sonoros como emancipação de vidas deste nosso mundo.

          Ah! Como vale a pena valer a pena! Ter nossos sentidos acuradamente atentos para valorizar valores alcançáveis, mas ignorados por nós.Num desleixo de sabermos os valores que os compõem, seguimos cegos, irresponsáveis, desleixados, inconscientes da bravura e magnificência das sutís presenças, graciosamente ofertados para nossos deleites, nossos enternecimentos.

          Vivemos crus, nús de apaixonantes valores que procuramos, desesperadamente. Nem damos as devidas atenções aos nossos dia-a-dia que vivemos. Vivemos, não, corremos em direções diversas em buscas ignoradas e irracionais, às vezes, seguimos de olhos vendados, amarrados numa eterna busca de ilusões, para estancarmos nossa velocidade por não vermos mesmo, nossos objetivos.

          Tanta coisa vale a pena, que seria absurdo enumerá-las, pois seriam laudas e laudas de indicações e não chegaríamos, na verdade, definitivamente, ao término das pesquiosas. Seriam coisas materiais, seriam outras tantas angelicais e muitas delas espirituais, que não teriam fim... Chegaríamos ao infinito, mas mesmo assim, ainda existiriam mais a comentar, pois "Deus é Bondade, Deus é Pai, Deus é Infinito". Nas demonstrações, sentem-se, apalpam-se, esperam-se, mas não não são  valorizadas, infelizmente...

          Vamos fazer de nossas vidas um "valer a pena" constante. Matizando nossos olhos com olhares de amor, de ternura, numa imitação constante de felicidade. Dando-nos, por inteiro, nessa ginga incansável de emoções que a natureza-mãe nos proporciona para tornarmos nossas vidas mais amenas, mais fantásticas, mais ternas, pois foi para isso que o "Nosso Pai" nos reservou como dádivas divinas de felicidades.

 

Maria Myriam Freire Peres

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2004
Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 09/07/2005
Código do texto: T32431
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Sobre a autora
Myriam Peres
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 86 anos
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Myriam Peres