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              Sem ideologia

                             Rosa Pena


Há certos atos que são indiscutíveis, imponderáveis, inaceitáveis.
São verdadeiros absurdos e ponto final.
Poderia citar muitos fatos passados, presentes, e futuros com certeza, mas, no entanto, entretanto, não obstante, todavia, eles dariam margem à retirada do meu ponto final acima. Preciso colocar pontos finais, ou quem finaliza sou eu.
Pinochet obrigar os índios à solidão, Bush ser reeleito, palestinos e judeus em guerras intermináveis, importação de café para a terra do próprio, bomba jogada num trem de civis, matar uma roseira e não usar sequer a rosa como enfeite. Intermináveis episódios que levariam tantas folhas para narrá-los quanto o tempo que existem e existirão, tenho convicção. Citei algumas injúrias depois de ter dito ponto final acima. Mania de brasileiro que se desdiz, que esquece rápido. Enfim, quero dizer que alguns e muitos ainda discutem e analisam o cunho político social econômico de se exterminar a Terra do universo. Justificativas são arranjadas para atos que pintam o planeta de vermelho, até porque dizer que o planeta é azul é mentira de sonhador, e afinal, o mundo é de todos (é?), as cores ainda são livres (ou já tomaram partido?) para serem usadas de acordo com a visão de cada um.
Tenho pensado nisso. Na validação de atos que comprovadamente são fruto de total insanidade. Um fato que eu chamo de terror e ainda assim é discutido. Muitos são aceitos por unanimidade nos “G8” da vida, e reforçados. Tony Blair declarou que vai mandar mais tropas para o inimigo.Esqueceu de falar do Live 8, esqueceu de falar Vida!

Lembrei-me das crianças russas seqüestradas e torturadas na escola de Beslan em 2004.

Já virou passado?
Em nome de que ideologia se obriga uma menininha de três aninhos a beber sua própria urina para não morrer de sede? Este fato isolado valida alguma causa política ou é total insanidade? O que o PT fez com o Brasil perante a expectativa de milhões de brasileiro é demência, e não existe petista radical nenhum, que tente me convencer do contrário. Busque relação com os fatos, acorde e analise, ou espere uma bomba destruir o Cristo Redentor, Maracanã...
Por que estou escrevendo isso, depois de tanto tempo com a humanidade tomando bombas diariamente, quando tudo banalizou, ainda mais na Internet onde o anteontem já era.
Porque o meu lirismo anda ameaçado. Ando achando que em nome de alguma coisa inominável, meus versos terão que tomar seu próprio xixi, para não secarem. 

Minha escrita nasceu negra, judia, homossexual, cigana muçulmana em Beslan. Refazendo: Minha escrita nasceu no Brasil, é índia, sobreviveu às invasões, à ditadura, ao salário de fome, a violência cotidiana, mas está morrendo diante dessa lama sistêmica que assola meu país. Meu grito deve estar sendo julgado neste momento por algum comuna teórico que ainda não descobriu que político é tudo farinha do mesmo saco, ou quem sabe é marciano que vira presidente. Alô, alô! Aqui quem fala é uma terráquea.“Ideologia eu quero uma para viver” (Cazuza), pois os meus inimigos estão no poder desde que eu nasci.
A lua ainda muda de fases, ou está sempre cheia de tanto levar propina?
Guerra dos Mundos é a nossa sina.



refeito em 2005

registrado na BN
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 10/07/2005
Reeditado em 24/07/2014
Código do texto: T32700
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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