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MULHER INGRATA XII: ALGUÉM SABE ONDE É A SAÍDA???

Entrar no Inferno é coisa fácil e, na maioria das vezes entra-se por vontade própria. Principalmente se estamos falando de mulheres. As mulheres, todos nós sabemos – e você aí, minha companheira , não me torça o nariz por isso – as mulheres carregam, desde que o mundo é mundo, o péssimo e muito prejudicial hábito de se considerarem capazes de operar milagres. Alguém aí conhece uma mulher, a não ser aquelas que apanharam e aprenderam, que não sofra daquele clássico mal que as leva a pensar  “depois de um tempo juntos, ele vai mudar. Este amor imenso há de mudar esta criatura difícil”. Balela, conversa mole, ou como dizem os americanos, pura “bullshit”. Ninguém muda ninguém e ponto. Entrou no Inferno, dormiu com o Diabo, lascou-se. E não adianta procurar o Procon, denunciando propaganda enganosa. Ele engana até fiscal do Procon.
“Muito bem”, concluiu a Ingrata, depois de digerir vários pães amassados em conjunto com o Tinhoso. “Muito bem, cansei do Inferno. E agora, a parte difícil, onde fica a porta de saída?” Por estranho que pareça, a porta de saída não dá pra fora, minha cara. Dá pra dentro. Pra dentro de você.
Sair do Inferno e livrar-se do Malévolo que você vem fortalecendo há tanto tempo, num estranho processo de retroalimentação, numa simbiose amalucada que só fortalece ao outro e esgota suas energias, sair disso passa por uma porta pra dentro do seu Inferno pessoal. Sair disso vai exigir uma boa dose de humildade. Vai exigir olhar para o espelho, não rapidamente, um olhar disfarçado. Um olhar longo, demorado e doloroso para aquela que se tornou a mão direita do Diabo. Estranho? Mas foi exatamente isso que aconteceu. Nossa Ingrata amiga, tão certa de ser uma vítima do Belzebu do travesseiro ao lado, era, sem o saber, a Mão que o suportava. Cada mágoa alimentada e transformada em ressentimento e raiva alimentava o poder do dito cujo. Mas a gente nunca sabe disso. Cada pequena vingancinha pessoal esquenta o Inferno e deixa o Diabo mais forte e feliz. Ninguém nos machuca, nos pisa, nos arrasa. Somos nós as únicas responsáveis. Nós criamos lá dentro da gente um outro inferno cheio de pequenos demônios. Nós somos a versão feminina do Diabo. E muito, muito piores que ele próprio, porque viramos algozes de nós próprias enquanto vamos nos acostumando ao confortável papel social de vítimas do outro.
Sair do Inferno é atravessar este inferno interior, encarar o Diabo de saias em que nos transformamos e localizarmos seu calcanhar de Aquiles. E este é, de todos, o trabalho mais difícil para a nossa Mulher Ingrata em fase de Redenção.
E, “surprise”, o primeiro passo é passar a encarar, de novo, o título que tanto indignou sua Madre Tereza lá atrás: a mais legítima Mulher Ingrata. Sem culpa, sem peso na consciência, sem peninha do Diabo, que agora, vai vestir roupinha de anjo....O Criador vai conhecer a Criatura. E, todos sabem, quando o Mestre foi muito bom, há grandes chances de que a Discípula o supere em muito, muito mesmo...
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/07/2005
Código do texto: T32940

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai