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Mais fogosas do que belas

"Conserto de senhoritas?". Ao ver o título em notícia na Internet, sem saber nada sobre esta peça de teatro, perguntei se a história tratava de mulheres espevitadas que precisavam de conserto para se encontrar com Jesus. A apresentação se deu recentemente em minha cidade.

Cáspita! ... e não é que eu acertei?

Juro que tava zoando na pergunta anterior. Não sabia o que iria encontrar lá! E eram de fato tiazinhas que precisam de conserto! Eu acho que elas aceitariam sem pestanejar um encontro com Jesus, mas apenas com a condição dele participar da suruba.

Os sortudos que não foram não perderam nada de interessante. O humor é do tipo "Zorra Total", mas o texto da peça contém termos chulos e situações chocantes, que devem ter provocado o esmagamento dos carrapatos do púbis de integrantes de famílias tradicionalmente conservadoras desta cidade.

Toda vez que eu, já sonolento nos vinte primeiros minutos da missa, digo, peça, tentava dormir, algum LA-ZA-REN-TO de um personagem gritava no corredor e corria de salto (sim, a peça era 3D), fazendo-me despertar.

Em dado momento, um dos atores fica completamente nu no palco. Comentei com a minha namorada: "é a primeira vez que vejo uma peça de conteúdo fraco explorar o corpo de um homem, ao invés do de uma mulher". As feministas de plantão devem ter ficado comovidas.

Mas a parte mais embolorada desta vitamina azeda, amiguinhos, foi dar-me conta de que no cartaz da peça não havia nenhum texto indicativo de classificação etária.

Lembro-me apenas de um adolescente de uns treze ou quatorze anos no meio do público, todo maior de idade. Mas e se as famílias tivessem visto o cartaz sem restrições e levado suas crianças para ver os atores caracterizados de senhoras, pensando tratar-se de conteúdo leve, como o da "Praça é nossa" e derivados? Teriam sido ao menos advertidos na entrada?

A única hora que me diverti pra valer foi quando eu dei uma escapada para mijar e fiquei lá no box observando o vaso, que foi gentilmente chapiscado por um talentoso artista anônimo. Ele na certa não se deu conta, mas desenhou o mapa do México.
Pierre Affonso
Enviado por Pierre Affonso em 31/10/2011
Reeditado em 31/10/2011
Código do texto: T3309763

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Sobre o autor
Pierre Affonso
São Paulo - São Paulo - Brasil, 83 anos
208 textos (12622 leituras)
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26 e-livros (791 leituras)
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