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Se você tem mais de 40 anos, você lembra.

Sons de músicas e rocks... Palavras inocentes. Lembranças. Rebeldes... anjos, mas rebeldes. Era assim naquela época. Canções de protesto mas, de amor puro e verdadeiro.
Imagine:  “Sr. Carteiro, me entregue a carta do meu amor...” é o que diz a canção  Mr Postman.
Era tão gostoso dançar de rosto colado ouvindo:  “Je t ´aime moi non plus” quase sem sair do lugar,
grudado no chão,  corpo colado,  entre suspiros e beijos “roubados”, que  eram “roubados” de verdade.  A gente queria dar o beijo,  mas, sempre fingia que não.   E aquela inocência dos primeiros toques... um arrepio na espinha. Rosto vermelho de extremo pudor não sabia como disfarçar. Sentindo tudo e querendo tudo, mas sem querer se entregar.
Que roupa colocar?  Um apropriado ”Inferno de Dante”.
Batom... perfume... sapato alto, vestido vermelho... que lindos!  A gente ficava linda mesmo.
Eram os “Bailes de Formatura”, “Bailes de 15 anos”,  os “saraus” aos domingos, fumar escondido...
tomar “hi-fi”, “cuba libre”... disco novo dos Beatles.  Uma disputa colossal em saber todas as músicas de cor.  Aprender inglês. Todo mundo tinha uma “banda”, todo mundo tocava violão.
Faziam-se versos... namorava-se. Olhares de soslaio... nada de “encarar”.
Sutilmente dizendo, “eu quero”,  e “eles” sabiam muito bem como chegar.
Não sei como é que faziam. Isso sempre me intrigou.  Mas era uma química, uma fusão de sentimentos.  Na verdade, uma explosão deles.
E nos bailes... Tinha aquela história de “tirar a menina para dançar”... E era um “vexame” ficar sentada... Luz que girava...Luz Negra... e se não se tomasse cuidado, ficava aparecendo tudo: calcinha e soutien... um horror! Vi muitas meninas terem de ir para casa para se trocar.
Roupas coloridas, todos de cabelos compridos, meninos e meninas,  de costas não se sabia quem era quem...O símbolo "V" nos colares, anéis, brincos e qualquer tipo de enfeites ou bugigangas... Paz e Amor!
Dançar sozinhos... separados “Sugar, Sugar”. Voltar à pé pra casa, suados, cansados...
com os sapatos nas mãos... todos.
Encher o quarto de fotos dos artistas preferidos, ter um caderno de perguntas e respostas... Eram tão engraçadas as perguntas... Melhores ainda, eram as respostas.  Todas as meninas tinham um.
E tinham também os “códigos”. A gente inventava só para ninguém saber,  se por acaso caísse em "mãos erradas",  que, normalmente, era a mãe da gente.
Ler romances... Roubar as “revistinhas indecentes” dos irmãos mais velhos.
Andar de ônibus... sentar na janelinha, ou no último banco, só porque pulava pra caramba!
(Naquela época quase ninguém tinha carro.)  Ir ao cinema aos sábados e não ter o dinheiro da
passagem de volta porque gastou no “drops dulcora”  ou na caixinha de “chocolate com passas ao rum”. Assistir aos filmes de Jerry Lewis ou do 007. Dar risada de todo mundo na rua, no cinema...
na escola... rir o tempo todo. Assistir sessão da tarde...
Preocupações ??? Quais ???  Um dia...uma notícia dada na TV: “O mundo vai acabar.”
Olhamos uns para os outros  e sabe o que a gente fez? Fomos pra rua jogar voleibol... no meio da rua... sim, no meio da rua. Era onde sempre podíamos jogar nada de carros...
E,  sabe o que aconteceu ???  O mundo não acabou, nem aquele dia,  nem quando passou o ano 2.000.  O que talvez tenha acabado foi a inocência,  a irreverência sem maldade, a rebeldia comportada porque, tudo aquilo, era o jeito de sermos felizes.
Lembranças que só tem,  quem viveu tudo isso. Só quem viveu essa época, é que pode sentir
e saber, o que é dançar ao som de  “I wanna hold your hand”.
Rosy Beltrão
Enviado por Rosy Beltrão em 30/11/2004
Código do texto: T331
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Sobre a autora
Rosy Beltrão
Estados Unidos, 62 anos
155 textos (31304 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 30/09/16 13:53)
Rosy Beltrão