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"Natal! Ano Novo!"

Natal!  Ano Novo!
 
          Estamos no Natal.  Aproxima-se o Ano Novo.  Pensamentos me fazem ficar apreensiva. Como apreensiva? Mais uma etapa vencida e outra se avizinhando. Lembranças da que se foi, temor na que se aproxima. Sempre o desconhecido me causa pavor. Diria melhor, preocupação. Anseios pelo novo ano, recordações do antigo.fazem minha cabeça ficar atordoada, numa crucificação de idéias, que estremeço em confusão. Todo fim de ano é a mesma coisa, repetição de emoções, que me acometem e me fazem refletir. Costumo me isolar e ficar em transe, para que a memória não falhe e eu possa, num só golpe, recolhê-la e analisá-la. Passo a perna no medo e quedo-me a pensar. Estou recostada em almofadas, num conforto tal, que me propicie um relaxamento tranqüilo.
          Faço, na imaginação, um palco iluminado em que vicejem personagens conhecidas em perene desfilar das minhas lembranças. São pessoas amigas, outras conhecidas, muitas lembradas e outras indiferentes, porque nada valeram e, pior ainda, algumas tantas muito lamentadas, terrivelmente recordadas.  Passam, carregando suas bagagens de mais um ano de atuação. Algumas delas, trazendo malas pesadas, arrastadas de tantas emoções que me ofereceram. Passam sorrindo, alegres, acenando afeto, carinho, compreensão, respeito e amor, em  regurgitares perenes de alegria e palpitação. Apenas desfilam na minha frente, sem parar, mas deixam marcas profundas da felicidade imensa que tive em tê-las conhecido e convivido com suas personalidades, ímpares, por assim dizer, mas totais e diversas. Passam, deixando perfumes florais, angelicais, aspergindo gotas de intenso amor à sua volta, envolvendo suas presenças em vapores emanados de suas estonteantes personalidades. Ao sair da minha linha de observação, ainda ecoam os felizes momentos de imenso carinho. Essa são as que valem a pena se conhecer, viver, se oferecer, se doar e se entregar de corpo e alma.
          Fico na expectativa das representantes de amigas simples, mas valorosas também, que deixaram sulcos profundos de afeto, companheirismo, amor e dedicação. Vêm com bagagens mais leves, cheias de sacolas, embrulhos, casacos e presenças do muito suave galopar ao nosso lado, dando-nos felicidades e compreensão. São aves mais serenas, mais atuantes, mas sutís nas suas representações. Sorriem, abraçam nosso viver na quietude de sonhos de afeto e carinho. Ah! Dessas, também, de meus olhos rolam lágrimas, pingando extremas considerações e recordações dos nossos limites de amizade, capacidades de transmissão de calor humano, na reverberação de tantas emoções oferecidas. Todas estas desfilantes terão seus nomes salvaguardados, para que , num futuro próximo possa eu poder reviver, comigo mesma, passados tão sentidos. Os ecos, ainda, nas batidas do meu coração, me acompanham com carinho imenso. Flores, também, em profusão de odores, mesclados de carinho desse desfilar feliz.
          Outra linha de observação se aproxima. São pessoas que me acenam, sorrindo, me enternecem um pouquinho e passam. Bagagem considerada normal, algumas lembranças ao final. Sáo pessoas  estimadas, consideradas, amiguinhas e coisa e tal.  Passantes conhecidas, acenantes, sorridentes, mas passantes rápidas para os seus destinos. Bagagens de mão, embrulhos alguns e nada mais. Mas, nas minhas conjecturas, nada de pior fizeram, mesmo nada fazendo de melhor que me calasse n'alma, ficaram registradas num pedacinho do meu coração.
          Chegaram agora as de total indiferença. Circulam rápidas, caladas, sérias e passivas, apenas. Nem sorrisos, acenos mudos que sejam, nem sutís gestos que induzam a nada recordarem. Sem bagagens, mão vazias, frias e distantes. Nada de perfumes, nem carícias sentimentais. Vazias totais, somem da minha visão.
          Agora, vêm as que tanto temo. São as fingidas, que na hipocrisia de seus propósitos, deixam marcas nubladas de suas presenças nefastas. São diabólicas nas composições de suas células, pois se apresentam amigas, dizem sê-las e apunhalam pelas costas.Estas são as perfeitas crucificações dos mais belos sentimentos que oferecemos. As decepções são tantas, que nem vale a pena serem descritas. Devemos abominá-las de nossos pensamentos e corações, para que não contaminem as partículas sinceras, sensatas de outras companheiras. Falarei pouco delas, não merecem. Bagagem cheia de embrulhos mal feitos, barbantes pendurados.Não interessa cumprimentos, pois elas próprias se escondem, se isolam. Graças a Deus são a minoria, isso é salutar observarmos.
          Passam todas céleres, apressadas porque têm assuntos a resolver, trabalhos a realizar. Mas as recordações ficam rodando na minha cabeça, ora felizes ao lembrá-las, ora tristes ao rememorá-las. Assim o leque que se abre todo fim de ano, deixa-me em paz, porque ainda estou viva e com sobrevivência auspiciosa.
          Feliz Natal desejo a todas, indistintamente. Que o Ano Novo, que vai raiar agora, seja o índice de plenas realizações e afetos.
Amem-se muito!!! Derramem bençãos de emoções!!! Deixem Deus observar, que valeu a pena pra Êle a criação de nós todos. Adoro todas vocês!
 
Maria Myriam Freire Peres
 
Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2oo3.
Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 12/07/2005
Código do texto: T33197
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Sobre a autora
Myriam Peres
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 86 anos
473 textos (54612 leituras)
5 e-livros (275 leituras)
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Myriam Peres