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Manifestações políticas



Afirmei, em uma de minhas crônicas que "o brasileiro é mesmo diferente".
E como é diferente.
Agora estou falando somente dos Capixabas. O Capixaba é mesmo diferente. Diferente no trato, no gosto. Diferente no jeito de tratar o turista, sempre com muito carinho e com iguarias marinhas.
Poucos não são os restaurantes da Orla que não tem seus pratos típicos sempre serviços com muito orgulho, pois são os melhores do Brasil. Capixaba se orgulha disso. Até já ouvi dizerem, por aqui, que "Moqueca é Capixaba, o resto é peixada". E sabe que tem mesmo um gosto diferente? Não sei se é o jeito de preparar ou a experiência dos Mestres da cozinha capixaba. Mas Capixaba é brasileiro.
Certamente, comida não será o assunto desta crônica.
Quando publiquei no meu blog, uma crônica sobre a Marcha Contra a Corrupção, falei da disposição do povo em comparecer à manifestações públicas, preferindo ficar no conforto do lar saboreando o churrasquinho de fim de semana.
Naquela manifestação poucos foram os que participaram. Também não quiseram políticos ou sindicatos como parceiros e os dispensaram. Se fizeram isso, suponho, que o grosso do povo brasileiro havia rompido com essas instituições.
Mas a questão dos royalties do petróleo, aliado aos políticos, governador, deputados e prefeitos, conseguiu uma manifestação fascinante.
Vão dizer, mas estávamos defendendo uma causa justa, o Espírito Santo irá perder só em 2012 500 milhões de reais em arrecadação de royalties.
Então vou perguntar:
- Acham que a luta contra a crescente onda de corrupção na política brasileira não é uma causa justa? Por que agora o povo alia-se aos políticos? Por que os políticos honestos não se aliaram ao povo?
Alguma coisa não está "batendo bem".
Vejamos:
Ou os políticos são todos inocentes e a marcha contra a corrupção foi uma injustiça, uma farsa, sendo, portanto, o povo, injusto;
Ou os políticos não participaram porque tinham culpa no cartório, nesse caso o povo foi justo;
O povo se arrependeu e agora quer fazer justiça, aliando-se aos políticos em uma justa manifestação, o que tem mérito;
Ou o povo compareceu em número muito superior por causa das facilidades promovidas pela administração pública e pelo show.
Todas as alternativas acima estão erradas ou
Todas as alternativas acima estão corretas.
De qualquer forma, não dá para entender.

Quando os políticos querem uma manifestação, convoca o povo e facilita tudo para que o povo participe de sua demonstração de força;
Decretam ponto facultativo nas repartições publicas, liberando os funcionários.
Facilitam o transporte com um aparato especial, liberando as catracas dos ônibus urbanos e as dos pedágios e fornece, inteiramente grátis (entenda-se pago com o dinheiro público) todo material de propaganda e de convocação do povo. Um grande show foi organizado com artistas locais e de projeção nacional (leia-se Dudu Nobre). Ônibus transportando caravanas de outros municípios não paravam de chegar. Quem pagou? Eu não sei e não foi divulgado, mas os participantes, desconfio que não foram.
Será que está tudo certo e eu estou falando besteira?
Ou está tudo errado, mas o povo já acostumou e nem se dá conta?
Será difícil e trabalhoso participar de manifestações públicas que não são facilitadas pelo governo? Ou não é nada disso?
Sinceramente, estou com um nó na cabeça.
Mas foi válida a minha afirmação, na crônica anterior, que o povo gosta de samba e futebol. Bastou um show e o comparecimento foi de 25 mil pessoas, enquanto que no mesmo local, na marcha contra a corrupção o comparecimento foi de apenas 200 pessoas (fonte site g1 da Globo dias 10/11 e 12/10/2011).
Reclamar, nem é possível, pois o dinheiro é daqui. Mas aquele que foi surrupiado em certos governos anteriores (não vamos citar nomes, mas os escândalos foram, amplamente, divulgado pela imprensa), também era nosso e foi roubado dos cofres públicos do Estado sem a menor cerimônia. Aí dirão os atuais: - Mas não fui eu nem meu partido.
Eu respondo: - Mas também não fui eu.
E vamos reclamar com quem? Ou vamos deixar assim?
Afinal 500 milhões em apenas um ano, dá para fazer muita obra pública.




N Ambrosio de Castro
Enviado por N Ambrosio de Castro em 22/11/2011
Reeditado em 01/06/2012
Código do texto: T3350130

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Sobre o autor
N Ambrosio de Castro
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 66 anos
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