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A NOITE DE DOMINGO.

Por Carlos Sena

 
 
A noite de domingo nem sempre é do FANTÁSTICO. A noite do domingo pode muito bem ser a noite do SHOW DA VIDA em forma de simplicidade: tomar um sorvete com a namorada; permitir-se à solidão consentida no nosso quarto como que nos fazendo companhia em nosso ato de contrição. A noite do domingo pode ser aquela que podemos passear de mãos dadas pelas ruas como nos velhos tempos das “Jovens Tardes de Domingo”. Um papo na esquina, uma musica no carro, um sarro de leve, tudo serve numa noite qualquer de domingo. Não sei se vir televisão seja ainda uma coisa de domingo à noite. Prefiro mais uma missa na capela, bem ao estilo antigo: o padre, o sacristão, poucos fiéis, um sino discreto e a certeza de que domingo com missa é semana sem preguiça. Mas me corrijo e ainda acho que domingo é também dia de ver televisão, de preferência um cineminha meio água com açúcar para não se cair na tentação do Faustão, nem do Gugu, nem... Deitar na grama verde do parque em companhia de quem amamos e, por nada, olhar pro céu e ver os desenhos que as nuvens fazem entre si.
A noite de domingo também se presta a um cochilo no tapete da sala até chegar a hora de ir pra cama. Convida também a pequenas visitas em casas de amigos, principalmente se mora no interior. Na cidade grande, melhor deitar mais cedo – lá fora faz medo – a solidão em degredo se abstém a chegar. Domingo à noite anote: é dia de ver o amor adormecer nos seus braços, ou deixá-lo manhando no sofá da sala no aguardo de ser levado pro quarto. A noite de domingo até pode ter um pouquinho da internet, pois afinal, a vida moderna não passa sem ela! Domingo à noite poder ser também de chá quente na cozinha, de um bom pedaço de bolo de fubá, ou de um café esperto para a alma esquentar. 

Amanhã manha no colo do ser amado
Domingo cala no calo do ser tratado
Dormindo falo no fato de ser calado
Colado fico no fato de ser falado
Domingo é dia de pescaria.
A noite do domingo é feita pro mote:
Do amor à luz do ardor em poste
Do furor da voz ao terror de nós consortes.

Porque domingo à noite eu não te vejo,
acendo o desejo que me traz o beijo das nossas vésperas caras. Vesperal que na praça se descortina enquanto te busco menina no rumo noturnal. Coloquem no varal o cordel do amor fresco. Colem a página principal pra fora pra que todos leiam no cordão os meus cordéis. Cordéis da vida dividida entre o dia e a noite de um domingo qualquer, num lugar qualquer daqui ou de lá... Quermesse do quereres
enternecida dos viveres pela órbita do amor liberto, sem censura, sem frescura. Usura da vida sem medo, enquanto domingo não chega, enquanto a vida não tarda, enquanto a sorte não falha.
 

CARLOS SENA
Enviado por CARLOS SENA em 27/11/2011
Reeditado em 03/08/2012
Código do texto: T3360359
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
CARLOS SENA
Recife - Pernambuco - Brasil
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CARLOS SENA

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