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CRÔNICA ESPERANÇA.

Não que não tenha feito porque não quis fazer, mas porque não pôde fazer.
Por exemplo, que presidente nesse país não teria feito, caso pudesse, uma reforma agrária, na saúde, na educação, desde Getúlio inclusive os presidentes militares?
E com certeza quem as fizesse, estaria coberto de glórias, riqueza e poder.

Mas porque não fizeram?...
- Porque não puderam fazer!...
 
Mas prometer o que de antemão sabe-se que não há como fazer é que é o problema.

Dizer que não sabiam do tamanho das dificuldades do país, logo após a posse, mostra o que?
Que o partido que foi capaz de eleger um presidente, desconhecia a realidade do país?
Ou não quiseram declarar essa impossibilidade?... porque a esperança que o povo tinha na possibilidade das reformas é que os levaria ao poder.

E quanto as desculpas de hoje? Que se passaram décadas sem que esses problemas fossem resolvidos e que não seria em um mandato de quatro anos de governo que poderiam estar resolvidos. Isso dito como se até o final de outro mandato estarão resolvidos. Como se fôsse uma questão de tempo e não de recursos e de estágio de desenvolvimento de uma sociedade.

Não se trata da mesma omissão das impossibilidades?
Porque ao que parece, não há mesmo como resolver, no horizonte temporal que lhes resta.

E a mesma postura se repete na reafirmação do que ainda farão, mas sem que possam fazer!!!...
O que o país precisa compreender é que não é um presidente que vai resolver seus problemas, mas sim que a sociedade os resolverá, ao longo de longos anos.

Portanto não há porque dar tanta importância a esse ou aquele presidente, candidato ou partido; nem há razão para esse ou aquele governante, candidato ou partido assumirem a postura do salva-pátria anacrônico, alimentando e fazendo da quimera do povo o seu diferencial ganhador de votos.

Não há como se gastar mundos de tempo, recursos e dinheiro com as pantomimas do Estado, esse leão velho que já não pode mais resolver; mas é preciso controlá-lo enquanto fórmulas novas, que não sabemos quais sejam, venham para devolver a efetividade a esse braço da sociedade, que não é a sociedade em si e também não é o seu dono...

Essa é mais uma razão para que tenhamos políticos bons, capazes e honestos, porque o tempo dos salva-pátria se esgotou. De Perons, a Getúlios, Titos, Fidels, Mussolines, e de Waleskas, Bushs, e Hitlers, de Guarrastazus, Churchills e Stalins e De Gaulles, jamais - a História mudou!...

O País precisa mudar urgentemente o horizonte temporal de suas expectativas, trabalhar efetivamente em um projeto de Nação e retomar o caminho do Planejamento, definindo as prioridades e os recursos necessários a implementação dos seus planos, sob pena de continuar cada vez mais desgastado na dança do curto prazo, incongruente, debilitado pela ciranda dos erros e acertos, na corrupção, na insegurança e no desmazelo.

Sem querer relembrar aqui o lamuriento Ruy quando nos falou das nulidades - e a História é transparente - por mais oportuno e pela proximidade do Dia do Livro, prefiro aqui encerrar repetindo o Monteiro Lobato : "Um país é feito de homens e livros!"...
Marco Bastos
Enviado por Marco Bastos em 14/07/2005
Reeditado em 20/09/2006
Código do texto: T34103
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Bastos
Salvador - Bahia - Brasil, 72 anos
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