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     Às vezes dói ler você...

     Hoje o despertador não tocou como de costume, mas eu pulei da cama e logo coloquei minhas luvas de pelica, pretas e suaves. Liguei meu amigo PC e, lentamente, fui tateando meus dedinhos cuidadosos e calculistas, ora em teclas, ora manuseando o mouse.
     Cheguei enfim onde eu tanto queria, dedo por dedo, lentamente, quase sem respirar, para não o acordar, para não ser descoberta ali, na intimidade dos seus versos. Como uma espiã dos contos ingleses, fui devorando todas as suas últimas publicações, vorazmente, como quem quer absorver tudo muito rápido... queria afinal, sair dali, bem rápido, sem deixar nenhum rastro, nenhum vestígio ...
     Mas, a delícia de ler seus versos foi me conduzindo ao êxtase, à emoção florindo na pele, ao encantamento de sempre. E, cheguei, enfim, a uma poesia feita para alguém muito especial, que não era eu. Uma outra musa  provando dos  seus versos, provocando suas insônias, delirando em seus devaneios.
     O ciúme tomou conta dos meus dedos, enluvados de negro, agora quase de luto, e, irritados (os dedos), pousaram no "control shift", no firme propósito de, apagar, deletando da frente dos meus olhos já verdes de lágrimas, aquele poema tão lindo, mas que certamente, não era prá mim.
     Meu coração, afinal, tão mais generoso que minhas duas mãos e a ponta dos meus dedos, não permitiu tal desamor....
E assim, , engoli em seco e li, novamente, agora, com o próprio coração refletido em minhas retinas, com o olhar de uma "passante" dos seus versos, fui lendo... e lendo aquela que desejei, fosse a minha poesia.
     E como prêmio dessa re-leitura amorosa, pude enfim, saborear das doces e ternas letras do seu texto. E, como uma abelha, fui sugando o néctar suave, no contexto de cada verso.
Senti finalmente, uma paz e percebi que, definitivamente, o ciúme é um sentimento que não me cabe. 
     Retirei calmamente minhas luvas de "sondar" você, e, beijei ternamente as pontas dos meus dedos, inquietos e doloridos, de quem lutava contra os sentimentos da paixão e da razão, no meu misto de mulher e poetisa. E, meus dedos agora secavam carinhosamente as lágrimas, que rolavam pelo meu rosto.
     Abri, finalmente, as cortinas da janela do meu quarto, e, olhando através da vidraça, percebi que a neblina já se dissipava e que um lindo dia de sol estava para nascer. Li mais uma vez o seu poema e fechei a tua HOME PAGE. Disse então para a tela azul da minha "área de trabalho" : Descanse você  também! Eu voltarei mais tarde, para continuarmos o nosso espetáculo.
Lili Maia
Enviado por Lili Maia em 14/07/2005
Reeditado em 09/01/2008
Código do texto: T34407

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Sobre a autora
Lili Maia
Curitiba - Paraná - Brasil
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Lili Maia