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UNS TIRAM, OUTROS (RE)PÕEM

     

     
          Semana passada fiquei um tanto melancólico depois de rever algumas fotos antigas. Acabei escrevendo e publicando coisinhas enjoadas –  um melodrama aqui, um melodrama acolá, assim a gente vai saltitando pelo fel diário.
          Revendo uma foto de um parque temático que eu tirei na Itália, não sei por que lembrei da história de um taxista que se apaixonou por uma travesti. Já nem sei onde essa odisseia moderna ocorreu – ou em Gênova ou nos confins do Piemonte. Mas tenho certeza que li a matéria num jornal.
         O taxista conseguiu tirar a travesti – por sinal, brasileira –  das ruas e depois de infinitésimas corridas de táxi, pagou-lhe a cirurgia para mudança de sexo.
         Meses de felicidade doméstica. O transexual tornou-se uma boa dona de casa, o marido nas ruas trabalhando com seu carro financiador de neo-vaginas.
         Até que um dia... (todos nós temos esse “até que um dia”) o marido chegou em casa antes da hora e encontrou o transexual na cama com a vizinha. Isso mesmo. A sua esposa brasileira revelou que, depois de se desfazer de “certas partes”, descobriu que era lésbica. E que amava a vizinha.
         Esse drama meio felliniano foi parar na imprensa italiana  porque o taxista quase enlouqueceu de dor e desespero. Pedia socorro ao mundo, coitado.
         Porém o que se há de fazer?  O jeito era acionar o taxímetro e seguir adiante.
         Do deus Príapo aos dias de hoje muita coisa mudou. Nem sempre o falo alheio está onde deveria. Feliz do tal americano que teve o pênis amputado, mas conseguiu reavê-lo numa microcirurgia. Depois fez uns filmes pornôs pra ganhar um dinheirinho. Na vida, nada se perde, tudo se transforma. Principalmente quando aquilo volta a subir.
         Pior sina teve Napoleão Bonaparte. O médico que lhe acompanhava  cortou seu piupiu horas depois da morte do ex-imperador. Tal pedaço da História só veio reaparecer 170 anos depois, mergulhado no formol. Virou relíquia de um urologista em Nova York.
         Hoje estou um tanto fálico. Mas depois escrevo sobre furores uterinos.



Raimundo de Moraes
Enviado por Raimundo de Moraes em 19/07/2005
Reeditado em 20/09/2012
Código do texto: T35689
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Raimundo de Moraes
Recife - Pernambuco - Brasil
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Raimundo de Moraes