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MELHOR CHAMAR O VETERINÁRIO

              Vou escrever já sabendo que estarei comprando uma briga da porra com boa parte do público feminino, e outra maior ainda com o público macho. Atenção: eu disse MACHO, não MASCULINO, coisas bem diferentes. Pra ficar clara a distinção, entremos na parte do "defina". Defina Macho: criatura cujo aparelhamento é claramente do sexo masculino, mas como tem pouquíssimos neurônios e estão todos na cabeça de baixo, evidentemente não pensa. Mas tem certeza que é dono da verdade, sacou? Entendido isso, fica clara e dispensável a definição de Homem, ser PENSANTE do sexo masculino.  E a briga fica por conta do lado, por assim dizer, "poético" do amor.
                 Quem já andou lendo o que eu andei rabiscando por aí sabe que estou longe de ser uma MEFERRA (Megera Feminista Extremista e Rabugenta) e sim, sou uma criatura muitíssimo apaixonada por um homem (tá claro nos meus textos, espero), o que descarta também a possibilidade de jogar no time alternativo, coisa que não me incomodaria nem um pouco, se eu gostasse da mesma fruta que carrego. Não é o caso meninas, sorry.
                  Ocorre que, poeta ou não, romântica ou não, apaixonada ou não, me dá engulhos a coisa do "não sou nada sem você", "meu mundo acaba se eu não tenho você", "não sei o que fazer se você não está junto" e por aí vai. Minha teoria é simples: se você está pensando assim, você está precisando urgentemente ser internado numa clínica de desintoxicação. Da alma. Isso é tudo, menos amor. O nome disso é dependência.
                 Amor é planta delicada e exigente. Delicada porque necessita cuidados especiais e exigente porque só cresce e floresce em terreno arejado e cheio de ar. Ou seja, em liberdade. Coisa que, evidentemente, quem está em estado de dependência, não tem e não permite ao objeto de seu "amor". Objeto, sim. Porque quando se diz ao outro "não sou nada sem você", é a isto que se reduz o amante: um objeto do qual eu necessito e que portanto, fique bem quietinho ao meu lado porque se der alguma merda, terá sido culpa dele.
                  E se alguém aí anda recebendo isso como elogio, também precisa urgentemente consultar um bom terapeuta. Pra melhorar a auto-estima, que deve andar a zero. E pra uma "baixa-estima", nada melhor do que um dependente dizendo estas bobagens o tempo todo.
                  Um dos ditados mais antigos que conheço diz que "cada um só pode dar o que tem". Se você acha que é um zero, que não é nada sem a presença do outro, o que você está dando a ele? A sua miséria, o seu zero e o seu nada. E pior, está sugando o que ele eventualmente tenha para dar. E você acha que é um amante? Não, o nome disso, em qualquer dicionário é SANGUESSUGA. Neste caso, melhor buscar o veterinário.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 20/07/2005
Código do texto: T36237

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai