Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O Super-Homem



Em uma de suas últimas entrevistas, o ator Christopher Reeve manifestava um entendimento e um sentimento sobre a vida que o personagem que encarnou no cinema, com todos os seus super poderes, certamente não poderia manifestar. “Seu corpo não representa o que você é. A mente e o espírito transcendem o corpo”.
Aquelas palavras nos fizeram recordar Platão na apologia feita em defesa de Sócrates: ”Por toda a parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocupar exclusivamente e tão ardentemente com o corpo e as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela seja o melhor possível, e vou dizendo que a virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vêm, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados”.
E também o filósofo alemão Nietzsche que anunciara o Super-homem no controverso “Assim falou Zaratustra” e afirmara que “o homem é superável”. E mais: “Que é o macaco para o homem? Uma zombaria ou uma dolorosa vergonha”. “Pois o mesmo que deve ser o homem para o Super-homem: uma irrisão ou uma dolorosa vergonha”.
Os quase dez anos de imobilidade física fizeram com que o ator que encarnara o papel central no filme “Em Algum Lugar do Passado” compreendesse o que o jovem da ficção romanesca não pode captar: o ser humano não é, apenas, a imagem que o espelho projeta ou a figura que os outros olhos vêem.
“Quando faço o bem, sinto-me bem. Quando faço o mal, sinto-me mal. Esta é a minha religião”.
A bússola moral emprestada de Abraão Lincoln direcionou Christopher Reeve para outros entendimentos. “Acho que todos nós temos uma voz interior que nos guia; se nos livrarmos de todos os ruídos de nossa vida e escutarmos essa voz, ela vai nos dizer qual é a atitude correta”.
O Super-homem imaginado por Nietsche e que povoou o imaginário infantil nos gibis e nas telas dos cinemas no século passado precisou ver-se imobilizado fisicamente para descobri-lo, com toda a sua realidade, em sua mente e em seu espírito que transcendem o corpo. O ator experimentou em vida o paradoxo do personagem e deixou-nos uma lição e um exemplo que o filósofo Nietsche jamais cogitaria.
O Super-homem continuará vivendo em nossas esperanças, distante do imaginado personagem do cinema, mas como uma possibilidade de chegarmos a ser o que não somos, seres melhores, mais justos, mais tolerantes, menos cruéis, mais inteligentes, humanos, verdadeiros heróis que qualquer pessoa poderá encarnar.

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Nagib Anderáos Neto
Enviado por Nagib Anderáos Neto em 22/07/2005
Reeditado em 17/07/2013
Código do texto: T36711
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autoria de Nagib Anderáos Neto www.nagibanderaos.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Nagib Anderáos Neto
São Paulo - São Paulo - Brasil
366 textos (88023 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 11:04)
Nagib Anderáos Neto