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            Minha formação acadêmica, foi toda dentro da ditadura. Época em que a arte tinha um papel específico, quase uníssono. Acordar a população contra o regime que tanto mal tratava. Grandes espetáculos de teatro. Grandes shows musicais. As melhores canções de Chico, Milton, Gonzaguinha, Edu Lobo,  Tropicália, Eduardo Gudin... Enfim, toda a juventude artística de peso estava engajada em algum grau. O palco era usado como tribuna, como farol, como arauto. Tudo disfarçado de diversão.
            Tive a felicidade de começar no palco aos 11 anos, cantando, e aos 14, interpretando. O clima era esse de revolução. Tudo seríssimo. Obras lindíssimas, profundíssimas. Texto, a palavra sendo levada às últimas consequências. Foi essa influência que me formou. Atravessou a vida toda comigo. Pouquíssimas vezes, subi ao palco, só para divertir. Sempre tive o cuidado, a preocupação com o que seria dito naquele lugar sagrado. Conforme fui aprendendo, fui percebendo, este dado foi-se alterando, simultaneamente.
            Neste momento quero ressaltar aqui, ser, totalmente a favor da tecnologia, em tudo. Inclusive, no palco. Mas, não, nunca, para substituir o poder da palavra, que anda tão rasa nos palcos mundiais. Estão apelando para helicóptero descer no palco, um ônibus de 1 milhão de dólares no palco, atores voando (e caindo) por sobre a plateia, para disfarçar a mediocridade do texto. O vazio! O nada! Sou do tempo em que você ia a um espetáculo de teatro e saía mudado, mexido, alterado. Acrescido! Hoje, não! É muito difícil! Quando não há esse uso indevido da tecnologia, há os espetáculos ininteligíveis, há o apelo ao humor rasgadamente duvidoso dos stand ups!!! Ah! Francamente! Para quem viu: "Apareceu a Margarida" com Marília Pera - "Ópera do Malandro" - "Gota d'Água" - "Calabar" - "Dzi Croquettes" - fantásticos!!! "O Balcão"... A inesquecível "Morte e Vida Severina" - !!! -Puxa! A diferença é brutal. A sensibilidade foi substituída pela futilidade!!
            Pois bem, penso que está na hora de o palco voltar a exercer o papel original: orientar, educar, sensibilizar o público. Seu papel original lá no começo, na Grécia. Tudo que não precisamos agora é de diversão. Precisamos pensar. Trocar ideias. Pensar muito, mesmo!!! Tentarmos, juntos, achar uma saída para essa porcaria que fizemos do mundo, da vida, do amor!
            Minha história atesta que a Arte salva!
 
 
 
 
 
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Histórico
Chico Buarque, MPB 4 e Nara Leão
"Vence na Vida Quem Diz Sim"
 
 
 

 
 
 
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Claudio Poeta
Enviado por Claudio Poeta em 18/07/2012
Código do texto: T3784835
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Sobre o autor
Claudio Poeta
Itacaré - Bahia - Brasil, 55 anos
1640 textos (73077 leituras)
3 áudios (176 audições)
1 e-livros (62 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/12/14 16:22)
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