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Viena, Cidade dos Sonhos (última parte)

*** Em Viena, no Salão do Almoço, nos sentamos junto à mesas redondas para oito lugares, ou mais, muito bem ornamentadas com flores, onde bebemos vinho em taças de cristais, talheres, tudo refinado, e ao som da Orquestra Vienense, que, mais tarde, no Salão de Baile, dançamos valsas, eu com o meu par, major Robson Mattos (hoje, coronel), nosso amigo esperantista do Rio de Janeiro. Fizemos sucesso! Rodopiamos pelo salão e as pessoas pararam para nos verem dançar. Até hoje, quando encontro com o Sr. Dobryzinski ele menciona esse fato. Depois a Orquestra Filarmônica de Viena, tocou o samba de Ary Barroso, Aquarela do Brasil, que não deu para sambar muito, por ser finamente orquestrado.
*** Fizemos excursão ao Palácio que era um mosteiro,onde viveu Elizabeth, Imperatriz da Áustria, apelidade Sissi. Apreciamos todo o mobiliário antigo da época, com seus espelhos de cristais, muitas gravuras e pinturas no teto, belíssimas, que apreciávamos olhando no espelho de cristal puríssimo do balcão exposto no centro do salão, para que não cansássemos o pescoço, olhando para cima, por muito tempo. Depois de outras visitas a monumentos, voltamos para o Palácio das Convenções de Viena, onde assistimos as palestras finais e encerramento do Congresso, após sete dias, quando os congressistas se retiraram para seus países ou para viagens turísticas, como alguns fizeram até a Itália, França etc...Fiquei somente eu (pois viajei sozinha, com bilhete para somente 15 dias, que a Agência avisou, que se eu voltasse antes do tempo, teria que pagar multa em dólares) e por causa disso, fiquei mais uma semana pagando hotel.. Aproveitei para visitar uma das igrejas mais antigas, onde assisti por mais de uma hora, o senhor tocando no gigantesco órgão,belíssima música sacra. Depois saí e fui procurar o Museu Nacional nas proximidades da Igreja em frente a praça, que tem uma secção do Esperanto, onde são
depositados livros e revistas que relatam a história do movimento esperantista mundial.
*** Resolvi pegar um
bonde, fechado, que me levou até Lintz, cidade, embora para mim, seria como um bairro, pela pouca distância percorrida, desci em frente a um prédio monumental, todo branco, no centro de um grande parque arborizado e florido, que constatei depois, ser Hospital. Entrei no parque para apreciar as diversas estátuas, completamente diferentes das costumeiras. Eram reproduções de seres doentes e em uma delas, podia-se olhar pelo visor, via-se o interior do corpo, mostrando os órgãos por dentro. Lembro-me da estátua de uma jovem, grande, alta, parecendo se inclinar para a frente, com os sapatos bem feitos pelo artista. Senti fome e fui almoçar num pequeno restaurante na entrada dos jardins do Hospital, onde comi uma fritada sem gordura, depois andei um pouco e deparei com o busto de Zamenhof numa pequena praça, perto do ponto onde pequei o bonde de volta para Viena. Continuei explorando os monumentos, entre eles, ruinas romanas, que se encontram em diversos países da Europa.
Visitei outras igrejas, passei pelas praças mais movimentadas, fui ao banco trocar moedas e peguei o trem do Metrô, diversas vezes, indo e voltando para apreciar a extensa e larga avenida, na qual se viam muitas estátuas sendo pintadas de dourado, brilhando ao sol, como ouro.
*** Devo dizer que viajei no Metrô, algumas vezes sem pagar, porque tudo era escrito em alemão e eu fiquei com medo de perder dinheiro, já o havia perdido nos telefones do hotel, o que me pareceu uma armadilha para engulí-las sem retorno. O Prefeito nessa época, era um esperantista que facilitou-nos os transportes durante o Congresso. Mas, fora do Congresso,
já teríamos que pagar passagem. Além do mais, o meu correspondente austríaco, o Ernest Quietensky, havia viajado com a família para aproveitar as férias dos filhos. Ele foi um dos que trabalharam muito na Recepção para atender os congressistas. De maneira que eu fiquei sem guia. Mas, mesmo assim, aproveitei bastante os passeios pela cidade de Viena com seus restaurantes confortãveis, com mesinhas ao longo das calçadas. Foi num desses restaurantes, onde havia muitos estudantes, que comi a melhor pizza, a pizza Margherita, que foi criada em homenagem à rainha, na Itália. A cerveja Kaiser de lá me saiu melhor do que aqui, servida numa tulipa grande como se usa lá. O garção era japonês, mas falava italiano e alemão. Aliás, em uma bomboniere, fui atendida por uma japonesa que falava diversos idiomas, inclusive espanhol. O patrão,ou marido,só falava inglês. Durante a guerra, muitos ingleses e americanos permaneceram na Áustria, e lá constituiram famílias. Por isso, há um teatro, próximo ao hotel onde me hospedei, que representava peças em inglês, pelo menos, o nome do teatro está escrito em inglês. Mas o povo, em sua maioria não fala a língua inglesa, ou fala mal. Tanto que, uns jovens americanos me perguntaram se eu falava inglês, pois desejavam informações. Então eu ensinei-lhes por meio de mímica e apontei para o hotel, onde deveriam pedir informações, pois lá se fala francês, inglês e espanhol. Eles agradeceram e foram em direção ao hotel. Poderia falar muito sobre Viena, do cinema ao ar livre, das barraquinhas de petiscos, artesanatos que existem em todos os países,como aqui também. dos espetáculos de valsa no centro do Parque, dançarinos vestidos à rigor, ao som de uma bela orquestra. Mas, pouco pude apreciar, pois às 9 horas da noite começava a fazer frio, chuviscar e ventava muito.E para voltar para o hotel, eu tnha que andar por ruas desertas. Preferi, então, ir dormir e pegar no dia seguinte, o trem do Metrô para apreciar a beleza dos palácios de diversas origens,romana, espanhola, austríaca etc.
*** Em Viena existe trem subterrâneo que passa por baixo do Rio Danúbio. Outro que passa por cima do Rio e o trem de superfície, E notei que os trens correm dia e noite, sábados e domingos. mesmo vazios. Só que não têm ar condicionado como aqui. É um abafamento, no verão! Mas o Metrõ é a condução mais barata para operários e estudantes. E os jovens entram com suas bicicletas nos vagões, e temos que esperar sairem primeiro, para depois sairmos também. Há, ao longo das praças e avenidas, ciclovias bem pavimentadas, contornadas por canteiros e bancos para descanso dos passantes,Os bondes param em todos os pontos, mesmo se não fizer sinal. Acho até que nem se usa isso lá. Os motorneiros (como eram chamados aqui os que dirigiam bondes) esperam a gente saltar com calma, principalmente os idosos. Na rua, muitos choferes param para nos deixar atravessá-la. Pelo menos, comigo aconteceu isso, em 1992! Atualmente, não sei dizer o que acontece por lá, a não ser uma carta do Ernst, informando anos depois, que os nazistas puseram bombas no carro, onde viajavam quatro ciganos , embora a polícia dissesse que foram os próprios ciganos que fizeram isso. Não dá prá acreditar mesmo! E sabemos que os ciganos sempre foram perseguidos não só na Áustria, como também em outros países da Europa!
*** Para terminar direi que viajei de volta para Paris,onde, ao chegar, perdi o avião que me traria de volta ao Brasil. Arranjaram-me um hotel próximo ao Aeroporto Charles De Gaulle, onde só à noitinha do dia seguinte, consegui pegar avião da Air France para S.Paulo e depois para o Rio de Janeiro, conquanto tive que procurar por minha bagagem que chegou antes. E finalmente, meu cunhado chegou de carro, para me apanhar no Aeroporto, de onde, graças a Deus, retornei ao meu lar!
Victoria Magna
Enviado por Victoria Magna em 27/07/2005
Reeditado em 23/12/2005
Código do texto: T38242
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Sobre a autora
Victoria Magna
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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