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VEREDAS E UTOPIAS

“Uma vez transporto o portal, o herói percorre uma paisagem onírica de formas curiosamente fluidas, ambíguas, onde dever sobreviver a uma sucessão de provas.”
Joseph Campbell

Debate sobre os movimentos sociais. Auditório cheio. Bandeiras dos movimentos, símbolos e mitos balançam entre faixas de partidos. A presença do público e a expectativa em cada olhar são janelas para os horizontes das esquerdas, o fortalecimento dos movimentos sociais e a reflexão necessária e dolorida da crise política que se alastra na sociedade.
Os primeiros pronunciamentos se limitam às verdades exauridas e à camuflagem da realidade com golpes e conspirações. As palavras arrebatadas contagiam grande parte do público com meias-verdades. É bom prorrogar o sono nas manhãs frias, mas despertar de repente e não encontrar um chão real pode ser temerário... Outros militantes, alicerçados na formação ideológica, tentam encontrar rumos independentes do contexto político. Talvez a reflexão silenciosa que origina ações coesas nos solos redescobertos...
Os discursos mais acalorados parecem mensagens alucinadas de pastores à beira do juízo final ou contos de fadas para crianças sonolentas que não percebem a maldade de alguns personagens distantes do bem e do mal estereotipado como, por exemplo, o pai que abandona João e Maria na floresta, o rei que se omite diante das perversidades da madrasta de Branca de Neve...
Não são apenas as caricatas bruxas que são malvadas, são todos os seres diante de seus contextos e fragilidades... Como as crianças, os adultos também têm dificuldade de perceber a realidade sem o maniqueísmo que simplifica as narrativas humanas.
Novas teorias de conspiração ganham força, infelizmente mascarando o desfile disperso de um rei nu. Talvez ninguém grite a verdade e o nobre termine o itinerário diante dos olhares apáticos de seus súditos ou, quem sabe, um bisturi extirpe o mal que gangrena a indignação no corpo do medo e da perplexidade e possamos recuperar os movimentos autênticos com um posicionamento do rei revestido.
Quando os indivíduos se entregam à devoção dos mitos é quase impossível se deparar com a existência humana. O discernimento é corrompido e os julgamentos viciados.
Fogem as palavras... Resta o olhar de vivências do trabalhador rural, o pensamento indignado do professor universitário, os traços de esforço do sindicalista... Resta a constante luta por uma sociedade justa, pela soberania nacional, pela reforma agrária, pela educação, pela dignidade dos brasileiros... A força dos movimentos sociais está além das conjunturas políticas, está na garra do povo que persiste nas veredas cotidianas enquanto queimam as utopias...
Helena Sut
Enviado por Helena Sut em 28/07/2005
Código do texto: T38494
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Sobre a autora
Helena Sut
Curitiba - Paraná - Brasil, 47 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 08:40)
Helena Sut

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