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                          Prosa enjoadinha 

                                             Rosa Pena

                                  Poema Enjoadinho
                                Vinícius de Moraes

                                   Filhos.. Filhos?
                              Melhor não tê-los!
                                Mas se não os temos
                                   Como sabê-lo? 
 
                                     

Casaram-se muito cedo, para poder gritar enfim sós. Um apê pequeno, com uma cama imensa. Um som fenomenal, para ouvir o Wessell Anderson, geladeira pro vinho. Ela chamava seu macho de sax. Soprava-o por inteiro. Desimonae era o apelido carinhoso dela. Desi sorria de tudo que seu homem falava. Riso solto aos vinte, e na paixão qualquer bobeira é linda! A decoração da sala ia da hena de cabelo à latinha de atum que, no sufoco, virava jantar. Calcinhas na pia e frutas verdes podres na mesa. Dois corações ocupados não enrolam frutas no jornal para amadurecer. Ambos passavam o dia no trabalho, chegavam cansados pra burro. Os dois eram bons de cama. Adoravam dormir nela, pra amar não tinha lugar marcado. Adoravam fazer planos para o futuro. O principal era percorrer o Caminho de Santiago de Compostela. Tinham muitas fotos e nenhum porta- retratos, pinturas sem molduras, e inúmeros objetos inúteis guardados com orgulho por fazer parte dessa história de amor. Sabonetinho do primeiro motel, caneta roubada do garçom num jantar extravagante, pantufas de avião da viagem maluca a Lima. Era um poema livre aquela relação. Loucos se reconhecem. Até que um dia leram profundamente um poema de Vinicius de Moraes. Ele sempre foi o poetinha alforriado. Depois de ler diversas vezes, compraram a idéia, e ela engravidou. A cama teve que diminuir pra dar um berço, a lata de atum virou de Nestlé, a geladeira entupida de geléia de mocotó, as calcinhas viraram Pampers. O caminho passou a ser o da pracinha, o riso solto virou bocejo, as frutas... as mais frescas do planeta. Atualmente, ambos sofrem de insônia, têm um montão de porta-retratos enfeitando dois apês. Wessel Anderson emudeceu, e Desimonae ganhou o prêmio de mãe do ano, com direito à festinha. Sax não compareceu à premiação, pois está com depressão pós-parto há dois anos. Tá se sentindo um contrabaixo.
 


 (Escrita ao som de Desimonae, Wessel Anderson)
 
LIVRO UI!

Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 02/08/2005
Reeditado em 05/12/2009
Código do texto: T39735
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
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