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As maravilhas do cotidiano

Tudo na vida é relativo!
À cada fase que vivemos, cada momento que desfrutamos, cada época, idade e experiência, nos traz alguma coisa nova que podemos somar como saldo positivo em nossa jornada, mesmo quando aparentemente algo sugere a negatividade.
Talvez a característica mais bela da vida seja a mutabilidade, o renovar constante, a perene novidade de nosso cotidiano e a suprema capacidade do ser humano em adaptar-se a mudanças.
Conforme vamos desvendando o significado, o sentido de nossa caminhada, e deixando que cada relacionamento que nos surge na vida floresça em sua própria peculiaridade, que cada evento se externe e nos comunique sua mensagem, vamos nos encantando com a maravilha que é viver e descobrindo a sabedoria que subjaz cada acontecimento, seja ele em roupagem agradável ou não...
Por vezes reflito se a verdadeira sabedoria não está na simplicidade do indivíduo que se deixa mergulhar na vida com olhos curiosos, com a mente receptiva para o que se passa a sua volta, e com o coração escancarado, disposto a experimentar, sem receio e com a eterna confiança dos inocentes, todo sentimento que a vida nos oferece, sem julgar, sem pré-conceitos, sem resistência alguma, apenas e tão somente experimentar, saborear e então descobrir, através da vivência, a riqueza e diversidade que compõe nosso cotidiano..
Parece-me que a vida realmente é uma festa, como já afirmou um pensador de nosso tempo... E uma festa onde todos somos convidados a participar, onde não há exigência de traje, de contribuição que onere, nem condição alguma que possa nos vetar o direito a participar. Apenas nos é acenado que devemos usufruir, aproveitar e nos deliciarmos com o banquete oferecido...
Então, há a possibilidade de descobrirmos dentro de nosso cotidiano coisas surpreendentes que poderão interferir em nossas escolhas e, assim, alterar nosso destino.
Tive a sorte de contar em minha formação acadêmica com um professor que era, sem dúvida, uma pessoa brilhante, daquelas que nos seduzem pela simplicidade com que polvilham nossos momentos de estudo com prendas de inestimável valor, proporcionando-nos uma compreensão clara e objetiva de feitos e aspectos da vida, que nos consumiam horas e horas de reflexões infrutíferas...
Como sempre tive a inclinação para o aspecto filosófico da vida, tão logo o conheci já me dispus a aproveitar ao máximo seus ensinamentos.
Certo dia estávamos em aula com o tão querido mestre e um colega levantou a questão da casualidade... E passou-se a discorrer sobre o acaso, o aspecto aleatório do andamento da existência, dentro de nosso cotidiano, como elemento decisivo que esbarrava, sem cerimônia, com a vontade do indivíduo....
Todo o grupo se animou e cada qual manifestou-se, com uma propriedade impressionante, a respeito da casualidade...
Depois de muito se conjeturar, de cada aluno colocar suas conclusões, consideradas por eles, brilhantes reflexões, nosso mestre, senhor já de certa idade, possuidor de uma calma deliciosamente contagiante, e que até então apenas ouvia atentamente seus pupilos, transmitindo pelo brilho dos olhos um genuíno interesse pelos caminhos onde percorriam os pensamentos do grupo que liderava, esboçou serenamente um sorriso e pediu humildemente a palavra.
Todos nós de imediato nos silenciamos e nossa atenção voltou-se para ele que, agora em pé, aproximou-se da lousa e escreveu a seguinte palavra:
Natureza.
Feito isso, dirigiu-se a nós e foi perguntando a cada um de nós o que observávamos na natureza.
O primeiro comentou sobre o rio...e seu destino: o colega seguinte sobre a floresta, depois falou-se das flores, animais e assim por diante todos fomos pontuando as obras que a natureza realizava, culminando com o nascimento de uma criança e o fascínio desta “produção” !
Após estas colocações e reconhecimento da sabedoria e perfeição com que a vida agia em sua criação, nosso mestre virou-se e perguntou apenas:
- Segundo a observação de vocês, tudo que mencionaram é criação perfeita da natureza, em que não foi preciso haver a mão do homem, a interferência do individuo, para que se realizasse. O homem atua, interfere sim, mas porque deseja alterar o que existe, não pode ele criar...
- Minha questão a vocês é a seguinte:
- Tudo que mencionaram aqui e que ocorre com certa constância e regularidade é por ventura obra da casualidade?
Fez-se um silêncio agradável. Na verdade, foi o silêncio mais rico em sonoridade que já pude experimentar...
Sem mais nada dizer, calmamente nosso mestre dirigiu-se ao quadro e em frente à palavra Natureza, escreveu... Criador!
Em questão de segundos tive a percepção exata do que significava nosso cotidiano, um desenrolar sutil e harmonioso de fatos, eventos que nos convidam a buscar sintonia com um ritmo cósmico, uma certa ordem Divina, uma atividade serena e poderosa, única, que nos conduz aos resultados mais precisos e que se transformam e realizações.
O que pudemos aprender naquele dia foi algo interessante e verdadeiro. Nosso cotidiano é sem dúvida, a riqueza com que a vida nos presenteia nos convidando à mergulhar nele com atenção e sensibilidade, pois é nele que estão contidas todas as respostas que buscamos em nossa vida...
Assim, a grande dica parece apontar para que caminhemos atentos...muito atentos ao nosso dia à dia!!!!
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 12/02/2005
Código do texto: T4137
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho