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SER UM BRINQUEDO OU BRINCAR?

Outro dia estava olhando minha filha Rebeka de apenas três anos que estava brincando, e iniciei uma análise do curso de nossa vida.

Não lembro do que fiz na idade dela, mas sei que se fizer um pequeno esforço, com certeza lembrarei de toda, ou boa parte de minha infância.  Foi uma infância feliz, criativa, cheia de medos, mas também cheia de expectativas, cheia de buscas, mas também de respostas e voltando meu olhar para nossas crianças, penso que talvez elas algum dia não possam estar descrevendo suas infâncias da mesma forma e com os mesmos resultados positivos que um dia já tivemos.

Culpa minha? Sua? Delas? De quem então?

Culpa de ninguém, mas de todos. Todos porque optamos e ansiamos pelo avanço, pelo imediatismo, pela tecnologia suas facilidades e praticidades. E de ninguém, porque ninguém planeja friamente um futuro de menor qualidade para seus filhos.

Afinal, quando é que se ouvia falar de crianças com depressão? Com stress? A tecnologia e suas “vantagens” invadiram nossa casa, escola e fatalmente as brincadeiras de nossos filhos tirando todo o encanto e criatividade das brincadeiras, inclusive subtraindo grande parte dos exercícios físicos e esportes, pois passam grande parte do dia em frente à televisão, vídeo-game e computadores.

E as crianças que não possuem ou não tem acesso a esses brinquedos em suas casas?
Infelizmente elas são excluídas. Afinal, elas não possuem um número de celular ou um endereço de e-mail para trocar com seus “colegas”. E por mais que ela demonstre uma ótima habilidade em rodar um pião ou mover com grande êxito um iô-io, ela não faz parte de um grupo que possuem outros interesses em comum. Esse fato muito comum, muito vezes gera crianças revoltadas e dispostas a tudo para serem “aceitas” pelo grupo.

Atualmente está sendo muito difícil ser criança. E ser pai e mãe, também não está sendo uma tarefa fácil para muitos pais. Nossas crianças estão sendo bombardeadas de novas    informações, novos valores, novas éticas e isso está modificando nossa imagem e nosso papel enquanto pais, educadores e responsáveis  deles, pois muitos são taxados de caretas ou coisas do gênero.

Lembro-me da imagem que tinha de minha mãe, que possuía uma estatura baixa, mas eu a idealizava como sendo uma gigantesca mulher, pois para mim ela era a mais perfeita, a maior e a mais sábia. E era nela que eu depositava meus medos, anseios, inseguranças e não tinha ciência que ela era apenas um ser humano, portanto sujeito a todas emoções e sentimentos, longe do perfeccionismo.

Também hoje são muitas as crianças abandonadas à própria sorte, expostas a todo o tipo de sofrimento sem qualquer infância, privadas do colo da sua “gigantesca mulher” e na maioria renegados por elas mesmas. E nessa infância cruelmente abreviada, vai se substituindo esse colo materno pelo colo da prostituição; o brinquedo pelas armas; o leite pelo álcool e o doce pelas drogas. E aí, a brincadeira de esconde-esconde e de policia-ladrão torna-se reais.
 
Enfim com toda essa análise, concluí que nossas crianças passam a ser escravas do consumismo com a alimentação, roupas, acessórios, celulares, calçados e tudo o que a mídia exibir como sendo “da hora”. E eles passam a respirar menos ar puro e não se alimentam de coisas saudáveis. E com tudo isso se perdeu saúde, simplicidade, criatividade e infelizmente, um pouco dessa inocência tão particular dessa fase.



Finalmente voltei meu olhar para minha filha, decidida a fazer-lhe uma boneca de pano, que não falasse, não andasse e que dependesse única e exclusivamente da imaginação fértil de minha filha que ainda é inocente, para dar “vida” ao seu brinquedo.

megh
Enviado por megh em 12/08/2005
Código do texto: T42028
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Sobre a autora
megh
Carazinho - Rio Grande do Sul - Brasil, 48 anos
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