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O lobo vestido de cordeiro

Laura lê o jornal, enquanto come uma sandes, no recanto de um jardim. Está tão entretida que não se apercebe que alguém, um pouco afastado observa os seus movimentos.

Chegara à cidade há poucos dias, cheia de esperança de encontrar trabalho, rapidamente. Alugara um quarto e, todos os dias, percorria a cidade à procura de emprego. O desânimo apoderara-se dela! As poucas economias haviam desaparecido com o aluguer do quarto e a comida.
Laura olha melancólica para a pessoa que lhe pede autorização para se sentar a seu lado, no banco. É uma pessoa atraente e com uma aura de bom, quase santo ! Inevitavelmente, instalou-se um diálogo entre eles ! Ingénua, Laura acaba por contar que anda desesperada à procura de emprego.
 Ele apresentou-se como sendo Paulo e disse que na empresa onde trabalhava procuravam funcionárias. Essa notícia deixou-a um pouco mais optimista. Então, combinaram encontrar-se no dia seguinte, no mesmo local.
 Ela regressa ao hotel mais contente, pensando que uma dádiva lhe caíra do céu.
No dia seguinte, foi com o Paulo à entrevista, confiante que com a ajuda dele tudo seria bem mais fácil.
 Começaram a distanciar-se da cidade. No entanto, Laura teve uma sensação estranha : o seu sexto sentido sussurrava-lhe que algo estava errado. Paulo sossegou-a dizendo que a fábrica estava instalada nos arredores da cidade e em breve chegariam ao local. Ele estacionou o carro em frente de um edifício velho, rodeado por árvores. Saíram do carro, Paulo sempre sorridente.
Mal tinha entrado no edifício, foi empurrada brutalmente para dentro dum quarto. Gritou, suplicou, bateu na porta, mas tudo era em vão. Tinha caído numa ratoeira! A raiva e a revolta fizeram berrar bem alto a sua dor!
 A vida em poucos segundos tinha desabado. Tinha sido feita prisioneira e refém de uma rede de tráfico de mulheres. Durante dias só viu a pessoa que lhe levava um pouco de comida e a dose de droga, que lhe injectavam. Pela noite fora, entravam os clientes, a quem tinha que se entregar e proporcionar o máximo prazer. Mas, quando acabava, o nojo empurrava-a invariavelmente para a casa de banho, onde vomitava tudo o que podia.
 Laura sentia-se um bandalho, revoltada, torturada, mas na mente só tinha uma ideia : libertar-se a todo o custo !
 Quando fazia algo que a desagradava, era espancada brutalmente . Perspicazes, os seus carrascos tinham sempre o cuidado de não deixar rastos das agressões. Nas suas orações pedia clemência e muitas vezes duvidou da sua fé.
Aquela situação durou alguns meses. Depois começou a sair do quarto e ir até ao clube nocturno, que ficava no mesmo edifício, onde se encontravam outras prostitutas de várias nacionalidades.
 Mas passadas mais algumas semanas, começaram a levá-la para certas zonas da cidade, locais frequentados por prostitutas que eram vigiadas à distância. Enchendo-se de coragem, Laura começou a urdir o plano da sua fuga e aos poucos começou por diminuir o consumo de droga, vendendo discretamente o que não tomava, pois estava sendo espiada.
Bonita e sensual como era, Laura passou a ser enviada para hotéis de luxo, para se infiltrar no mundo dos ricos e extorquir dinheiro a velhos milionários.
 Fazia tudo com muita perícia e sempre com um sorriso nos lábios. O que lhe valia, por vezes, eram recompensas avultadas. O mealheiro de Laura começou a crescer e a recolha de provas para incriminar a quadrilha já era suficiente.

Nesta vida atribulada passaram-se alguns anos!

Certo dia, achou por bem deixar o trajecto rotineiro e começou a caminhar livremente, sendo descoberta pelos olheiros que a vigiavam constantemente. Saltaram dos esconderijos para a corrigir mas, assustada, Laura desata a correr e a ouvir tiros, que faiscavam na sua direcção. Desvairada e a morrer de medo, atravessa a estrada e sem se aperceber, um carro aparece e atropela-a.
Laura fica em estado de coma durante uma semana. Quando acorda olha para uma desconhecida que lhe diz ser ela a pessoa que a atropelou.
Laura finge-se amnésica. Porém, aos poucos, sentindo-se mais confiante e segura, abriu-se e conta à estranha a sua história, sem saber que estava a falar com uma advogada.
A rede actuava em vários países, mas graças à coragem de Laura, aquela organização criminosa foi desmantelada e todos os cabecilhas presos.

" Não devemos esquecer, que muitas vezes o lobo veste-se de cordeiro "
Isa Castro
Enviado por Isa Castro em 12/08/2005
Código do texto: T42053
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Sobre a autora
Isa Castro
Portugal
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