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A Ganância

                                         
Num prédio chique, situado numa área nobre da Praia do Canto, a síndica, atenta a todos os movimentos, viu passar pela janela do seu apartamento, no térreo, um aparelho de televisão na cabeça de alguém.
Achando estranho, ela correu ao apartamento de seu genro, ao lado do seu.
- Nando, você viu uma pessoa carregando um televisor?
- Vi. Ela saiu daqui de casa.
- Você mandou o seu aparelho para o conserto?
- Não e fique calada. Não fale com ninguém. Depois eu conto para a senhora.
- Ué!!! O que esta gente está fazendo aqui na sua casa?!
- São garimpeiros. Eles vão contar a história deles.
- Sabe, dona, nois trabaiava no garimpo, mas ele fechô. Fiquemo sem nada. Tamo passano necessidade. O que restô pra nois foi esssas duas barrinha de ouro e esses quatro cordão, que tamo trocano por televisão. O seu genro já trocô a televisão dele por uma barrinha e dois cordão de ouro maciço.
- Espere aí que eu vou buscar a minha TV, também!
A mulher foi correndo, pegou o seu aparelho de televisão, entregou aos desconhecidos em troca dos cordões e da barra de ouro.
A família foi embora, rapidinho, com outra televisão na cabeça enquanto sogra e genro, deslumbrados com aquela fortuna, imaginavam onde iriam escondê-la, para não serem roubados.
-    Já sei, Nando! Hoje à tarde nós vamos à Caixa Econômica avaliar isto tudo!
Mais tarde, eles foram e para a tristeza dos dois, aquilo não era ouro, era cobre.
Voltaram mortos de raiva para casa.
- Minha sogra, não toque mais neste assunto comigo! Isto morreu aqui, ouviu?
- E eu? Como vou explicar para o meu marido e os meus filhos?
- A senhora não diga nada! E tem uma coisa: se vierem me falar alguma coisa, eu digo que a televisão é minha e que  eu faço dela o que quiser!
- Eu, também, não quero mais saber deste assunto!
Nando, olha lá aquele pedreiro que contratei outro dia.
Boa tarde, seu Antônio! Está a fim de fazer aquele servicinho, lá em casa?
- Estou, sim senhora!
- O senhor pode ir neste final de semana?
- Posso!
- Então, vou lhe pagar adiantado. Aceita dois cordões, foliados a ouro, pelo serviço?
 



                 Anna Célia Dias Curtinhas


Anna Célia
Enviado por Anna Célia em 22/08/2005
Reeditado em 22/08/2005
Código do texto: T44351

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Sobre a autora
Anna Célia
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 70 anos
1158 textos (55234 leituras)
1 e-livros (216 leituras)
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Anna Célia