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Uma visão diferente das viagens.

Houve o tempo em que as pessoas viajavam para curtir, aproveitar. Hoje elas vão para os cantos mais variados do planeta com maquinas fotográficas frenéticas, contagiados pela filosofia nisei. Eles não aproveitam nada. Só decoram onde tem os lugares mais bacaninhas, tiram mil fotos com a digicam deles, compram presentinhos para a família toda, não conhecem nada e voltam satisfeitos. Dizendo que viajar é a melhor coisa do mundo.

Há aqueles outros que gostam de viajar para lugares ermos. Gostam de passar perrengues. Acampar naquela barraca minúscula, tomar banho em canos, andar o dia todo com areia do pé à cabeça, ver a natureza. Estar em contato com a natureza, dizem é relaxante. Esses são seres muito mais sensíveis. Eles conseguem distinguir diferenças indizíveis entre duas cachoeiras, entre dois córregos, até entre duas graminhas em frente à suas barracas. São experts em determinar diferenças e se regozijar com essa capacidade. “Estou aproveitando a natureza”. Como se a natureza fosse para ser aproveitada. O cara viaja, paga para “aproveitar” algo que deveria ser natural, espontâneo.

Também existem pessoas que viajam para conhecer obras de artes, monumentos, apreciar cozinhas diversas, entrar em contato com povos diferentes, se meter em encrencas, traficar, trabalhar, ser condenado a morte, enfim, existe todo tipo de gente para todo tipo de viagem.

O que temos hoje é uma indústria da viagem. Pague sua vida inteira por uma semaninha relaxante na Costa do Sauipe. Deva os olhos para visitar Paris. Hipoteque seu apê para estudar na Alemanha.

Qual a primeira coisa a pensar nas férias? “Tenho dinheiro para viajar?”

Ótimamente otimizados somos nós a pensar em viajar. Carnaval, feriadões, fim de ano, férias de verão. Estamos nós programando nossas viagens. Ótimo para cidades que vivem do turismo. O que seria da Espanha sem o turismo? Seria uma Argentina da vida (que mesmo estando assim recebe turistas a dar com pau).

Outra maneira de incentivar as viagens são os estudos fora do país. Vai-se estudar fora de casa e com isso aquece-se um turismo. Seria essa cultura do “eu tenho que viajar” pensada a beneficiar a vida de milhões de pessoas e brindá-las com novas experiências enriquecedoras, relaxantes e demasiadamente preparadas? Ou seria puramente uma industria das viagens? Toda uma concepção preparada para fazer você querer viajar. “mas o preço da passagem ta baratinho!”, “eu não viajo tem três anos!”, “estou louca para viajar, acho que vou surtar!”

Esse lance de viajar pode ser legal, prazeroso, mas não creio que seja para tanto. Há coisas mais interessantes que alimentar uma indústria que vive das suas viagens. Argumentaria o malandro “Mas eu tenho dinheiro, eu faço o que quiser com ele”

É galera, dinheiro significa fazer o que quiser com ele. Foda-se se vamos ser irresponsáveis, infantis, imprudentes ou quiçá egoístas, em viajar, alimentar industrias que destroem cidades históricas a fim de modernizá-las para receber o turista, delimitam áreas naturais selvagens que podem ser visitadas por pessoas da cidade e com isso destruindo toda uma fauna e flora dos locais, entre outras mais conhecidas conseqüências.
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 01/09/2005
Código do texto: T46860
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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leandroDiniz