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BULLYING EM NOME DA ORDEM ("O bullying começa quando a professora deixa outro aluno ir beber água e você não" DM.)

          Acabou-se o tempo da palmatória, mas, ainda, todos na escola apanham um bocadinho: professor, coordenador, diretor e até o aluno. É um batendo no outro! Quem ainda não soube de um fato de violência bizarra que aconteceu na escola, que me "atire a primeira pedra"! E o pior deles, é o professor apanhando de aluno, e por assuntos banais! {http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2209201126.htm} (acessado em 24/05/2015).
           Os coordenadores criticam e obrigam os professores a tomarem os celulares dos alunos. Se isso é bullying? Não sei, porém, de uma coisa sei, constrange os dois lados. E, então, reage violentamente quem tem maior liberdade e proteção social. {http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/09/04/interna_gerais,444623/professor-de-colegio-estadual-e-agredido-por-aluno-com-historico-escolar-conturbado.shtml} (acessado em 24/05/2015).
           Os coordenadores criticam e repreendem os professores que deixam os alunos colarem. São duas situações melindrosas que, por mais delicado que seja o professor não vai dissipar a ira do aluno, curtido da delinquência familiar, e nem a ira da coordenadora insegura sem uma função bem delineada. Onde estavam os coordenadores dos professores que apanharam de aluno? Estão sempre presentes para dizer que tal professor é bom ou ruim, num julgamento falacioso, baseados em caderninho de planejamento e porta da sala de aula fechada sem movimentação no corredor, mas cadê a parceria! Ou será que existe só um lado serviçal?
           Esta semana, fui surpreendido com a coordenadora na porta de minha sala com a pergunta estridente e bulidora: — professor não te incomoda esta falta de respeito à sua aula, com tanto aluno na porta da sala fazendo nada? Respondi com uma sugestão: Pergunte a eles se fazem isso para me desrespeitar ou por preguiça de cumprir a atividade proposta para o momento! Então, ela atirou farpas para todos os lados, atingindo eles e a mim, disse tudo que podia e não podia; assim que virou as costas, os mesmos que estavam lá fora me disseram, de diversas formas: — "não deixa ela falar assim com o senhor, Não!" Pois é, ela assistiu tudo e não tomou medida alguma, mas queria que eu me indispusesse com os alunos, pegando-os pelo braço e levasse até a coordenação, o trono da "salvadora da pátria", só então seriam lavrados relatórios assinados por os "de menor", sem responsabilidade jurídica, com palavras doces de perdão, massageando o ego de quem se diz superior, para engordar as estatísticas da "promissora" função. E eu lá na sala, no dia seguinte, com a rejeição e a resistência desses espertalhões os quais "dedurei". Qual é a pena para "dedo duro", segundo eles? Por isso quem me defenderá? Pensei em me queixar por bullying, mas já não sabia quem era o desonrado ou desonrador. Quem merecia apanhar nesse caso: eu, a coordenadora ou os alunos sem objetivos escolares?
           Eu sou ruim por que só faço o meu trabalho. Ela é ruim porque me obriga fazer o meu trabalho e o dela. Estes alunos desobedientes são ruins porque não fazem nem os seus trabalhos de classe e ainda impedem que o professor faça o trabalho dele.
           Um dia, o professor bateu num aluno. {http://noticias.r7.com/educacao/noticias/aluno-leva-socos-de-professor-de-matematica-20130509.html} (acessado em 24/05/2015). por isso,  a mídia apresentou o fato, pintando o professor como um monstro "safado, sem vergonha e doente", bateu em um "anjo". Apologia ao bullying vale o ibope? Os que estão em posição privilégiada na hierarquia social se acham no direito de humilhar, e fabricar muitos humilhados prontos para explodir em revoltas a qualquer momento, batendo panelas à rua!
           O que pode ser feito para ensinar os desrespeitadores a respeitarem sem apanhar? Ou, pelo menos, evitar que batam na pessoa errada, já que a turma do pega e lincha tem que bater em alguém! Apologia à violência não pode ser, porque não se combate um incêndio com outro foco de fogo. A maior causa da violência é outra violência. Não é à toa que nos provérbios, Salomão diz que a palavra branda desvia o furor (Pv 15:1). "As causas do bullying podem residir nos modelos educativos a que são expostas as crianças, na ausência de valores, de limites, de regras de convivência; em receber punição ou castigo através de violência ou intimidação e a aprender a resolver os problemas e as dificuldades com a violência." {http://br.guiainfantil.com/violencia-escolar/46-causas-da-violencia-escolar.html} (acessado em 24/05/2015).

           Tomara que os alunos não assistam mais a seus superiores se desrespeitando em nome dos modelos educacionais impostos por quem não quer perder o poder a qualquer custo. E o efeito dominó, iniciado por uma pedra defeituosa que derruba até a última pedra, perpetua-se, e a culpa é sempre da mão trêmula e inábil que não consegue pô-la em pé. Nessa metáfora, é tão fácil assistir a derrocada, vendo o amontoado de peças que caíram, mas não veem as peças que ficaram em pé antes da quebra do alicerce moral. Ainda bem que as fracas caem apenas numa direção: seguindo a tendência da malfeitoria. Todos sabem onde está o erro, mas ninguém quer perder seu emprego! Sentado à mesa, o professor de gramática e produção textual ("o preguiçoso"), mal visto pela coordenadora, esforça-se para se concentrar na correção dos textos dos poucos alunos dedicados, sobre os quais os olhares enciumados dos chefes que já não sabem de quem se vingar pelas peças que insistem, por indisciplina, em não ficar na formação.
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 27/02/2014
Reeditado em 24/05/2017
Código do texto: T4709117
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
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